terça-feira, dezembro 30, 2008

30.12.2008

O pequeno se encontra muito tempo na casa do Pai.
O que me deu uma chance considerável de dormir e me entregar à minha depressão como há muito não fazia.
Muito tempo pensando, escutando conselhos para me cuidar, às vezes sabendo por intermédio de meus agentes que as pessoas se preocupam comigo.
Às vezes sabendo que não sou bem quista.
Às vezes rindo por pensar se ainda vale a pena ou não escrever.
Então sou pega de surpresa, com as pessoas que reanimam meu lado de escrever, que dizem o quanto sou importante, o quanto faço diferença na vida delas e por essas pessoas, que às vezes choro, que às vezes sorrio e que às vezes me pego na vontade de manter este meu lado escritor.
Mas eu tenho um lado protetor.
Muitas vezes para proteger as pessoas que amo, me afasto, me isolo, me entrego às sombras de minha vida e então choro.
Choro sentindo um aperto no coração, enquanto as lágrimas escorrem na busca de alguém que me proteja de mesma forma.
E mesmo quando surgem essas pessoas, eu recuo, com aquela dor intensa no coração, pedindo para elas se afastarem, para me deixarem com o peso do mundo, porque eu sei, sei que nesses momentos não me contenho, deixo as palavras escaparem, eu firo.
Firo com a espada, afastando-as de mim, pedindo para me deixarem só, no abismo, na solidão.
Às vezes vista como ingrata, mas sabendo que faço isso apenas para protegê-las de um mal maior que vejo e que se desenrola nas linhas que escrevo.
Então escrevo...
Escrevo para o mundo...
Escrevo para poucas pessoas...
Escrevo para ninguém...
Apenas escrevo...
Pois meu acalento se encontra nas linhas que um dia serão lidas.
Fim de ano...
Nunca foi fácil para mim...
Compreendam.

quarta-feira, novembro 19, 2008

19.11.2008

Cansada.
Extremamente cansada.
Dia após dia, o estafante trabalho tem me sugado as energias.
Trabalho Noturno, trabalho diurno, trabalho diurno e noturno.
Trabalho no qual é necessária uma dose de paciência, de conhecimento e de lábia, onde a voz precisa estar no timbre ideal, o sorriso espontâneo, o jogo de cintura perfeito, mais paciência, o olhar sério para os demais colegas, o respirar fundo, o controle dos brios para não perder a compostura com os manda-chuvas e finalmente o desgaste completo, físico e mental, quando o corpo recusa e luta um pouco mais, ao repassar tudo o que ocorreu e simplesmente perceber que mais uma vez o corpo se entregou ao sono e sequer percebeu este fato.
Trabalho em que os olhos percorrem as linhas, em que as costas judiam, que o corpo pesa e a cabeça balança para ver se desperta, bocejos que são dados, corpo que é esticado, corpo que escorre pela cadeira e o pescoço encontra o apoio a ela, braços pendendo, corpo pendendo e o abrir dos olhos assustados, um novo ajeitar, a mente a se estafar, a criatividade a voar, voar para longe, para bem longe dos pensamentos, a cama convidando, os olhos pesando, o relógio correndo e as palavras desabando, desabando junto ao corpo, junto à cama, junto às cobranças que falta muito pouco, falta pouco tempo, muito pouco tempo e o atraso se aproxima com a mente a gritar que a Rainha de Copas cortará minha cabeça, então como lebre corro, meus dedos correm, minha mente para... as palavras fluem e me assombro, pois tal trabalho, mesmo em meu completo cansaço ainda é admirado.
Trabalho estafante, estafante trabalho, trabalho que me arranca da cama quando o corpo começa a descansar, é um corre para lá, é um corre para cá, cobranças, cobranças, cobranças e eu ainda tenho que me arrumar, arrumar, arrumar e quando vejo há o badalar, seguro, corro, falo, falo e falo mais um pouco, o corpo cansado mostra sinais, mas ainda há muito mais, corro mais um pouco, corro para lá e para cá, liga, apita, digita mais um pouco, o corpo querendo continuar e o cansaço querendo me vencer, os olhos piscam um pouco e quando vejo já é hora de correr, cigarro, passos apressados e corro mais um pouco, vozes altas e tantos outros mais correndo um pouco, mais falares, mais silenciares, amis olhares atentos, olhares a se fecharem e a voz a me cobrar, cobra mais um pouco, cobra muito mais e com paciência atendo aquilo que está plausível, aceitável, mesmo que eu me esgote muito mais e quando penso que meu corpo sucumbirá, eis que a Lebre corre, passa, grita e mostra os ponteiros, então me despeço do trabalho que suga-me por inteiro, por completo, mente, alma, energias, sorrisos e beijo a fronte do pequeno que me é tão custoso, mas perto dos outros trabalhos, o trabalho de ser mãe tem suas recompensas.
Agora acho que dá para descansar um pouco.

segunda-feira, novembro 10, 2008

10.11.2008

Alguém sabe como mudar as trilhas do Destino?
Alguém sabe como encurtar as Distâncias?
Alguém sabe como tornar o mundo mais leve...
As lágrimas mais doces...
O nó na garganta mais suportável?
Quem quer que venha ler estas palavras, pode vir a achar que estou decepcionada com algo, mas isso foge em muito da profundidade de minhas palavras ou de minhas ditas "angústias".
Como escritora, que há tempos anda sem inspirações ou motivada para responder as cartas dos poucos e verdadeiros fãs que possuo, hoje parei para pensar mais arduamente em um assunto que vem sussurrando em minha mente.
Dizem que as trilhas do Destino são determinadas e que temos que passar por aquilo que ele quer que a gente passe.
Na verdade não é bem isso...
Destino nos oferta milhares de trilhas e nós temos que ter sapiência em escolhê-las.
Às vezes, vamos tão determinados por um certo caminho, que mais à frente um sentimento nos assola.
- Terei errado e se eu tivesse pego aquele outro caminho?
Então começamos a nos sentir culpado, e como nossos inimigos adoram ver isso em nossas almas.
Eles sorvem nossas dores, nossas angústias, e como predadores vorazes, a bebida dos deuses para eles, são as nossas lágrimas.
Quanto ao encurtar as distâncias...
Bom...
Dizem que a internet veio para isso. Para encurtar as distâncias. Para torna gratuita as ligações interurbanas, para vermos quem está do outro lado do mundo, mas sinceramente...
Eu acho que a Internet veio para tornar mais dolorosa ainda a existência da distância geográfica.
Como grande fã de Sci-Fi, sou daquelas que torce para que o teleporte seja logo descoberto, ou que a minha alma se eleve o suficiente para que eu, em um piscar de olhos, possa estar aonde quero estar.
Huuum...
Pensando bem, acho que tenho um lado um tanto quanto anarquista, ou caótico mesmo.
Já parou para pensar nas milhões de pessoas que eu estaria demitindo?
Construtores de carros, empresas de combustível, motoristas que vivem de levar as pessoas de um lado para o outro... Aviação, pilotos... Formula Um... Navios... Capitães... Astronautas... NASA... Até mesmo os lixeiros perderiam seus empregos...
YEAH.... Acho que é por isso que até agora os cientistas não revelaram para o mundo que eles estão a um passo de apresentar o teleporte para nós meros mortais.
U-Hú... Não será a água e o combustível que criarão a crise mundial, mas o Teleporte.
Recomponha-se Keyra, não percebe que tem olhares intrigados ao teu redor?
Ca-hãm....
Tornar o mundo mais leve.... Tornar o mundo mais leve... Aonde é que eu estava com a cabeça quando perguntei se alguém sabia como tornar o mundo mais leve?
Bom...
Esqueçam esta parte impensada...
Pulemos para a outra parte.
Não me olhe desta forma achando que sou louca quando perguntei se alguém sabe como tornar as lágrimas mais doces.
Opa...
Por que você está me olhando desta forma e está segurando uma camisa de força?
Para! Pera lá! Deixe-me explicar uma coisa...
Dizem que os Anjos, possuem lágrimas doces...
Doces não seria bem a palavra certa, mas tipo, elas não possuem aquele gosto salgado, sabe?
O sal contido nas lágrimas, é advindo de uma série de acontecimentos...
Antigamente nós tolos mortais, éramos agraciados com a visão dos Anjos, mas que por termos ousado e não termos sidos submissos por completo ao grande criador, nossas lágrimas ficaram salgadas, para que, com isso, não pudessemos mais enxergar a grandiosidade de toda a criação.
Ou seja, fomos proibidos de ver os Anjos, o Éden e até mesmo o outro lado da história.
Uma pena...
Por isso que eu gostaria de descobrir uma forma de voltar a ter minhas lágrimas "doces", pois você não acha uma tremenda injustiça ficarmos alheios a tudo o que ocorre?
É como se eu estivesse dopada na maior parte do tempo e eu não quero mais isso...
Eu quero o Caos.
Em sua essência pura.
Bela...
E Terrível.

sexta-feira, outubro 17, 2008

17.10.08

Estou devendo algumas coisas para algumas pessoas.
Textos e mais textos, ao menos, vamos ver...
Um...
Dois...
Três...
É. Ao menos três, já que na verdade eram quatro e estou reduzindo a quantidade.
Falta de criatividade?
Leitores que não estão me satisfazendo?
Não.
Na verdade não.
Hoje eu estava conversando com uma de minhas leitoras.
Uma pessoa inteligente e ao mesmo tempo sensual.
Cativante e que por um breve momento poderia ter enxergado algo mais, mas agradeci pela conversa ser por meio virtual...
Nada mais de cabelos com pontas avermelhadas e revoltos...
Esta escritora se sente em uma fase meio...
Vazia...
Não.. acho que não seria bem isso...
Não depois daquilo...
Brrr... Nem posso alegar que é um alter-ego meu sombrio que se manifesta e não me dou conta.
Pelo contrário...
Apenas suspiro, penso que a pizzaria não tem mais pizza de chocolate com morango, pois os clientes não estavam pedindo e eles estavam perdendo demais aquele fruto maravilhoso que as crianças mais novas dizem:
Qué Murango...
Acho que devo agradecer à leitora que induziu o desejo de mUrango em mim.
- Tá vendo o que você faz? - murmuro baixo com um sorriso sacana nos lábios, desejando nesse momento um cigarro para esquecer um pouco a fome, o atraso da entrega de Pizza de 3 sabores...
Calabresa para o Pequeno...
Milho - porque há muito tempo não como pizza desse sabor... é sempre engraçado por sinal, ver o quão Jedi posso ser em comer sem derrubar um grão sequer...
e Chocolate com pêssego...
Huuum... Pêssegos... Não é Murango, mas também tão tentador quanto...
Eis aqui meu momento para atiçar os pensamentos...
Já sorveu a calda de um pêssego, roubando o fruto de uma boca alheia?
Bom... um breve sorriso sacana desta escritora, já que o pequeno clama por comida e a Pizza tá demorando um bocado.
- Calma, Pequeno, eles já devem estar chegando... Huuum.. não quer trocar o PS2 por desenho?

sexta-feira, outubro 03, 2008

03.10.08

As reclamações continuam sobre eu fumar demais. Mas agora a amplitude de tudo aumenta, com o fato que voltei a beber, perdi peso e tenho entrado em uma estranha letargia.
- Você precisa se cuidar.
- Você precisa se cuidar.
- Você precisa se cuidar.
Três formas diferentes de escutar o mesmo pedido, pois as três possuem significados diferentes em suas devidas preocupações.
Confesso que andei meio negligente, já que a minha mente estava cuidando de outros assuntos particulares, mas ontem percebi que certas pessoas brincam com o que não devem.
Além de escritora de resenhas, matérias e alguns contos publicados em impressos, ou virtualmente; amigos e amigos dos amigos, possuem uma visão interessante sobre a minha pessoa.
Eu, em meu sarcasmo e jeito de dar os ombros, digo que sou um espelho que reflete a alma daqueles que me observam ou que se aproximam.
Outros, em seu deslumbramento ou não, dizem que sou uma pessoa bela, maravilhosa, inteligente, carismática, sincera, uma alma liberta.
Raros, dizem que sou uma força da natureza.
Esporádicos, são aqueles que dizem que sou uma das pessoas mais fortes que já conheceram.
Mas se tornando freqüentes, são aqueles que me vêem como anjo.
O que sou realmente?
Às vezes me pergunto em minha teimosia de dizer que sou uma pessoa solitária, quando muitos dizem o contrário.
Não sou solitária?
Bom... Se for ver pelo meu circulo social, as pessoas que me acompanham, são aquelas que têm uma vida social bem ativa, com vários amigos, que vivem sorrindo, se divertindo, enquanto eu fico ali, estranhamente letárgica em minha cama, com o telefone silencioso e sendo lembrada apenas depois que a farra está finda.
Talvez por não sair muito, ou talvez por trabalhar muito nos horários em que todos se divertem.
Não sei.
Apenas sei que certas pessoas não deviam brincar com aquilo que desconhecem.
Mas o que seria este algo que elas desconhecem?
Apenas dou a dica.
Três vezes mais forte retorna o mal desejado.
Se fosse o meu pequeno a escrever, sei que ele pegaria uma frase clichê:
- E aí? Vai encarar?
Mas já que sou eu quem vos fala, digo:
- Está preparada(o) para as conseqüências de seus atos?

segunda-feira, setembro 01, 2008

01.09.08

“Você fuma demais, Keyra”! – comentou um rapaz ao ver que eu já tinha consumido ao menos quatro cigarros desde a hora que ele chegou à empresa. Agoniado, tentava soltar brincadeiras, até mesmo me ajudar a consumir o cigarro para que eu fumasse menos.
Não adiantava, eu apenas olhava para ele com cara de quem ri de uma piada sem graça, apenas para não deixa-lo sem a mesma.
“Você está pálida demais, Keyra”! – Mais comentários que chegavam até a minha pessoa, vindo de outros lados.
E desde que eu voltei ao Brasil com meu filho.
Desde os últimos eventos.
Tenho vivido a minha vida como escritora, mãe e fumante inveterada.
Ainda rio ao lembrar o quanto isso deixava o pessoal agoniado a me ver fumando a quantidade de cigarros que eu estava a fumar.
Propagandas e mais propagandas sobre os males desse vício pareciam apontar o dedo como gigantes que condenam os tolos mortais.
Mas eu não ligava.
Não me importava realmente.
Muitas pessoas se preocupando, por verem tantas sombras ao meu redor, tão preocupadas achando que eu não possuo mais aquele brilho. Dizendo que cultuo a tristeza e não sei viver sem ela.
Acho que posso contar os anos em que fui feliz. Poucos, perto da idade que tenho e ultimamente ando tão cansada...
Algumas pessoas diriam que crio ilusões, mas não se trata disso.
Foi-se o tempo que derramei lágrimas por um amor idealizado, um amor que acreditei... Que cheguei a acreditar que faria minhas buscas encerrarem.
Minhas buscas encerraram...
Encerraram por não agüentar mais pensar que um amor duradouro... Daqueles típicos comerciais de margarina... Açucarados... Baunilhados... São verdadeiros.
Às vezes chego a me chamar de hipócrita em frente a um espelho, ao tentar fazer com que amigos meus acreditem nessa ideologia... Mesmo sabendo que um dia, eles podem vir a ficar com o corpo vazio... Com olhares vazios... Com semblantes franzidos... Rindo...
Incrédulos...
Amargurados com a vida.
“Tenho medo do que palavras como essas podem causar em você, Keyra”!
Não podem causar mais nada, não a partir do momento que o amor é visto de um prisma diferente...
E em frente a um espelho, rangendo o maxilar por um tempo... Saio para a rua... Onde os dias voltaram a ser como outros dias quaisquer... Onde a fumaça escapa de meu pulmão, fazendo formas espirais...
Onde meu olhar voltou a contemplar o Horizonte...
E em algum lugar da minha mente...
Um velho grupo voltava a cantar com a mesma intensidade de sentimentos enquanto escrevo essas linhas.

“Pessoas circulam tentando viver
Mas a vida passa e ninguém a ver
Perdidos no tempo
Tentando sair
As luzes se apagam e eu aqui
Tentando mudar o que não vai ser mudado
Tentando criar o que já foi criado

O tempo passa e a gente tenta esquecer
O horizonte está ali, mas não se quer ver
Horizonte perdido
Qual a certeza de viver
Horizonte perdido
Eu não quero crescer

É há loucos que lutam sem saber o motivo
Se esquecem das horas
Se deixam cativos
De uma sede incansável que não se perturba
Não pede licença
Não pede desculpas

O tempo passa e a gente tenta esquecer
O horizonte está ali, mas não se quer ver
Horizonte perdido
Qual a certeza de viver
Horizonte perdido
Eu não quero crescer

Mas o tempo não se ilude
Tanta certeza que ficou
Por trás de cada porta que alguém fechou
E então nos embriagamos
Com as cores que se mostram
E sequer notamos, o quanto nos forçam
A esperar um novo dia
A esquecer a rebeldia

O tempo passa e a gente tenta esquecer
O horizonte está ali, mas não se quer ver
Horizonte perdido
Qual a certeza de viver
Horizonte perdido
Eu não quero crescer”

(Horizonte Perdido - Heróis do Dia – LP Traçado a Giz)

quinta-feira, julho 31, 2008

31.07.08

Olhavamos um para o outro.
Sem o pequeno por perto.
Ali entre nós, dava para se sentir o peso imenso de toda aquela situação que vinha se prolongando por tempo demais.
Minha alma gelava em certo ponto, pois eu já sabia que fim teria aquela conversa.
E então conversamos, colocando as cartas sobre a mesa, ou como diria o pequeno, colocando os pingos nos "is".
Um enorme alívio parecia surgir em nossos olhares.
Um carinho ainda era demonstrado, mas agora acima de tudo, um respeito muito maior surgiu pela forma como tudo foi resolvido.
Ainda conversaríamos...
Riríamos...
e finalmente...
Nossas almas ficariam em paz.

quarta-feira, julho 30, 2008

30.07.08

Não havia muito tempo que tínhamos retornado. Os lançamentos ocorreram como o esperado, mas devido a problemas pessoais, não pude estar presente, nem mesmo satisfazer a companhia de meus colegas de trabalho.
A eles, continuo sendo um verdadeiro mistério.
Alguém que pode se mostrar arrogante, mas que para muitos se mostra alguém que leva seriedade extrema o trabalho que envolve a escrita.
Meu filho me observa com os cantos dos olhos e sei o que se passa na alma dele, assim como ele sabe o que se passa em minha alma.
Ambos desnorteados com os eventos repentinos...
Ambos sem saber o que dizer sobre o assunto...
Eu queria rir...
Rir muito nessas horas em que a mente gira em um turbilhão.
Onde a alma voltou a parecer estar em uma montanha russa...
Mas são nesses altos e baixos nos quais vejo o consumo de cigarro aumentando.
De preferência, busco fumar longe do pequeno.
Mas vejo-me também perdendo peso.
Onde o comer forçado torna-se uma obrigação.
Onde risos acontecem repentinos ao sentir o coração apertar e as lágrimas tentarem escapar.
- Você gosta de tristeza... Não posso ajudá-la. Você escolheu viver assim.
Agradecia pelo pequeno não estar acordado quando escutei isso.
Por que ri. Ri com o gosto amargo dessas palavras de alguém que não compreende o que é viver... Conviver com a tristeza por tanto tempo na vida...
Onde os poucos momentos felizes que tive ao lado de alguém, não passaram de ilusões.
Arrependimentos?
Não... No Ultimo caso...
Caso... casamento... que seja eterno enquanto dure...
- Por que as coisas têm que ser tão difíceis para mim, Destino?
Não consegui conter as lágrimas... Não consigo conter...
34 anos de busca...
Sejam bem vindas de volta...
Noites insones...
Falta de fome...
Lágrimas no escuro...
"mas às vezes você tem alguém que ilumina esta escuridão"
Sim.. ainda há momentos que a luz consegue penetrar o abismo...
Mas muitas vezes ela fraqueja.. e torna-se fria.

quinta-feira, julho 10, 2008

10.07.08

Há muito eu não pousava meus pés novamente no Brasil. Eu tinha lá meus motivos para não querer retornar. Mas depois de todos os problemas com os ex-da vida, meu mundo andou dando reviravoltas. Minhas madeixas quase não apresentam mais sinais da tinta vermelha que um dia usei na vida. Meus pulmões agradecem por ser um dia ou outro que dou uma de fumante inventerada... Nos demais dias, ou dois cigarros ou um.. ou nenhum. Depende da ocasião.
O prazo tem corrido, tenho a minha mente me cobrando a resenha que eu devia ter feito há pelo menos um mês e meio atrás e ao menos agora observo uma aliança ao meu dedo com extremo carinho. Sim... Era hora de voltar para os braços de meu marido, depois de tanto tempo longe.
Mas em meio a tantas correrias, meu pequeno olhava-me com seus olhos brilhantes de curiosidade:
- Mas porque você não poderá ir ao lançamento? São dois livros!!! Já contei até para a minha professora!!
Suspirei. Não havia como escapar daqueles suspiros ante uma explicação. Sentei-me ao lado dele, contendo a vontade psicológica de acender um cigarro e suspirei longamente.
- Eu terei os livros depois, mas no momento do lançamento não terá como ir e eu não conseguiria ir, sem você e...
- Meu novo pai! - falou-me sorrindo e de mim ele recebeu a minha resposta como um sorriso.
Eu podia notar naquele tom de voz do pequeno, que meu atual marido era o pai que meu filho realmente desejava ter na vida. Não o culpava de suas outras decepções. O pequeno passou por poucas e boas junto comigo.
Um Pai que era o biológico, mas que não sabia ser pai. Às vezes bruto demais em seu desjeito com crianças e principalmente filho. Um pai que foi tão mimado que agora os próprios pais tinham medo quando ele explodia em uma raiva irracional. Para a minha sorte ele está bem longe do meu filho.
Outro dois supostos pais.. os quais eu nem faço questão de comentar aqui.. Perda de tempo completa, que apenas me causou desgosto, lágrimas e uma raiva grande o suficiente para pensar em olho por olho...
Mas agora... Este novo pai, este meu marido atual... Tenho percebido que as pessoas são um tanto quanto incrédulas ao que confrontam uma história de amor digna de filmes e histórias escritas por grandes autores.
Nos encontramos assim.. por um "Acaso de Destino"
Você não acredita em acasos e coincidências? Eu também não. (rs)
Mas é bom conhecer Destino pessoalmente e travar longas conversas com ele nas noites infindáveis, onde Morpheus o olha com os cantos dos olhos, em seu humor mórbido de sempre, relembrando ao irmão que eu devia estar dormindo. Destino, como sempre, murmura em sua voz que relembra o farfalhar de folhas de um livro antigo.
- "Se não fosse por mim, eles talvez não tivessem se encontrado. Você a ajudou como pôde e eu também a ajudei como podia".
Não vou nem me aprofundar nesta conversa entre os dois, ou se não vocês dirão:
- Volte a fumar, McKellen!
Mas voltando a seriedade desta conversa...
Meu atual marido é alguém que encanta, alguém companheiro, alguém que mergulha nas batalhas e que se reergue. É alguém a quem meu filho, quando o viu pela primeira vez o chamou de Pai.
Não preciso dizer mais, não é?
Agora estamos ambos, amantes da escrita, nos lançando com mais ferocidade no mercado literato. Batalhando como guerreiros ferozes as nossas batalhas e nos amando mais a cada dia que passa.
Quanto ao nosso filho.. Sim digo nosso porque meu filho mesmo assim se declarou... Ele observa estas batalhas com seus olhos radiantes de quem um dia também participará das batalhas.. Principalmente agora que estamos de volta ao Brasil.

sexta-feira, maio 11, 2007

Esclarecimentos

Bug disse...
da próxima vez que usar materiais de outras pessoas, por favor, indique a fonte de origem, ou pelo menos que a fonte é desconhecida.original:Guerra e destruição definem o que eu souNão as guerras fúteis e estúpidas que vocês mortais travamNão a guerra por riquezas, ou um irrisório ganho pessoalOu por um ridículo e minúsculo pedaço de terraMinhas guerras são maioresEu viso o genocídio. O extermínio completo de meus inimigosDeles, de suas famílias, de seus amigos, de sua raça e toda a lembrança de sua cultura pervertidaNada deve restar daqueles que entram em meu caminho, nem mesmo uma leve memóriaMinhas tropas combatem pela supremacia de um ideal, uma forma de viver que precisa ser imposta sobre todas as outrasA simples noção da existência de uma divergência nos enojaNos damos motivo suficiente para desejar a destruição de nossos antagonistas,com cada fibra de nosso serNão somos apenas um exército, somos uma força a ser considerada na balança cósmica da existênciaDeuses tremem diante de nossas tropas, deuses choram ao presenciar nossos massacresVocês nos chamam de "diabos", pois é o máximo que suas mentes curtas e primitivas conseguem vislumbrarMas nós somos maisSomos a guerra e a destruição...-General Abahddon
[Obrigada pelo momento cultural, Bug. Todo e qualquer material contido nesta página é extraído de jogos que ocorrem no chat da UOL.. colocarei meus agradecimentos especiais às players da UOL no lado direito do Blogger.]

sexta-feira, março 16, 2007

16.12.06

Keyra McKellen: *Os cabelos bicolores estavam presos em um rabo de cavalo, o que tornava os cabelos de Keyra uma peça interessante de diversas perguntas. Afinal, Apenas a parte solta estava ruiva enquanto a parte presa estava em tom castanho escuro. Keyra respirava fundo, observando o sol saindo finalmente no fim da tarde depois de um tempo com chuva.. * Poderia me ver um café expresso duplo? *Hoje era dia, com certeza hj era dia para ela aprontar algo.. Os trajes escuros mostravam bem que Keyra poderia vir a falar algo nada educado, ou então poderia ser educada.. até demais* Sim Sra. *respondia o atendente se retirando em seguida*

§ Jun Hirai §
: *Jun estava sentada ao lado da janela, sentindo o vento bater em seus cabelos escuros e finos.Observava a tarde que ia embora, que logo traria a noite consigo, como uma criança que se estica para pegar um cobertor escuro, cheio de estrelas e dormir.Tinha á sua frente o habitual suco de uvas, que perfumava o espaço entre ela e a mesa.Não tinha a companhia dos irmão naquele dia.Com certeza Shinta e Shizu deviam ter algo mais laborioso em mente para se fazer num dia como áqueles.Ela mesma, se sentia entediada naquela cidade e volta meia lamuriava sua estadia ali, com pequenos suspiros baixos.*

Keyra McKellen
: *Depois de um tempo Keyra recebia seu café expresso duplo e o homem perguntava se ela queria acúcar ou adoçante, mas Keyra apenas se afasta depois de pagar pelo café que ela tinha pedido.. O local estava um pouco cheio para um café..* droga.. *murmura de forma baixa e vai caminhando para ver se acha uma mesa vazia, o que parecia ser uma missão impossível ou alguém que não se incomodaria de compartilhar a mesa* Acho que vai ser difícil... *ela murmura novamente tomando um pouco do café puro e sem açúcar* Argh.. esqueci como é tomar café sem açúcar.. *ela ri e continua seus passos* Desculpa ser intrometida.. mas está esperando alguém? *ela pergunta para a moça que tinha seu copo de suco de uvas sobre a mesa e que parecia bem entediada* Ou seu namorado esqueceu do encontro? *Não aguentou... ela soltou quando menos esperava mordendo a língua por um momento e pensando: "parabéns Keyra.. vc precisava ser agressiva?"*

§ Jun Hirai §: *Jun ergueu os olhos devagar, um olhar ríspido vindo daqueles olhos claros e puxados, que faziam jus a sua beleza oriental.Ergueu levemente uma das sobrancelhas e observou aquela mulher esquisita, que cheira á café.* Tudo isso é só pra sentar aqui ou tá interessada em me pagar um café também? * Dava as costas, voltando a olhar pela janela aberta, sentindo os aromas do lado de fora.Aquele café lhe dava pequenos enjôos e ela definitivamente não precisava daquilo.*

Keyra McKellen: *ela ri com a reação da moça.. dando a volta na mesa para observar a mocinha que tinha a resposta na ponta da língua* Bem.. eu poderia pagar um café para você, apenas para ganhar o direito de me sentar à sua mesa, mas observando o seu suco de Uva, algo me diz que vc preza mais por uma vida saudável.. *Keyra tomava o café ainda em pé e observando de soslaio a mocinha que parecia não se sentir bem com a presença dela*

§ Jun Hirai §: *Observou a mulher de soslaio, com um olhar que misturava a curiosidade com a hostilidade.Jun parecia um pouco anti-social se colocada próxima de todas as outras pessoas que lotavam o bar naquele dia. Com uma das mãos, finas e delicadas, indicou a cadeira a frente, vazia, para que a mulher se sentasse.Respirou fundo, tentando puxar para si o ar do fim do dia, mas apenas conseguiu aspirar ainda mais o café.Fez uma ráida careta, mordendo os lábios e fechando os olhos,sentindo o estômago revirar.Por fim, tomou rápidos goles do suco e respirou devagar, sem dirigir nenhuma palavra á mulher*

Keyra McKellen: *Keyra acabava vencendo a hostilidade da mocinha e sorri com os cantos dos lábios quando ela indicava a cadeira. Sentava-se à mesa tomando o café com calma e não pode deixar de perceber a reação da garota.. Uma reação típica que Keyra já tinha sentido algumas vezes por conta de restaurantes com comidas gordurosas demais* Ao que parece o cheiro do café a incomoda... *Fala de forma calma.. acenando para um garçom* Como você consegue ficar em um ambiente como este se não suporta o cheiro? *Keyra perguntava de forma baixa olhando para Jun e depois para o Garçom que se aproximava*

§ Jun Hirai §: As vezes a necessidade é maior do que a necessidade de impor certas vontades, senhorita.Uma questão simples de escolhas. ..*Respondia em sua voz calma, porém de entonação marcante, como se algumas gotas do sotaque natal ainda estivessem derrubadas á lingua de Jun.Ela observava a mulher por cima da borda do copo, enquanto tomava mais alguns goles o suco gelado.Estas horas , se perguntava como aquelas pessoas podiam ser tão fúteis, tão extremamente ignorantes de alguns princípios fundamentais da vida... mas Jun, preferiu ficar calada e deixar que as palavras de Shinta substituissem seus pensamentos...assim, repetiu-as em uma voz muito baixa, quase como um murmúrio* Ignore...a vida mostra tudo.

Keyra McKellen: *O garçom se aproximava e Jun poderia ver Keyra pedindo gelo para ele.. apenas um copo com gelo.. O garçom acata as ordens dela se retirando.. Keyra observa com rabo de olho a srta. que respondia de forma tão marcante como um grande sábio faria a qualquer pessoa* Muitas vezes as escolhas que fazemos nos levam a caminhos interessantes srta. Ignorar as coisas muitas vezes podem nos levar a ignorar até mesmo aquilo que a vida tenta nos mostrar... *ela sorri e então observa outro garçom trazendo o copo com o gelo* Obrigada... *ela agradece e coloca o gelo dentro do café.. misturando-o e gelando-o.. com um sorriso nos lábios, sem olhar mais nos olhos da jovem*

31.07.06

Keyra McKellen: *Tinha cometido uma loucura.. tinha teimado em se manter acordada até o sol raiar para 4 horas e meia depois estar sendo acordada para encarar a realidade. Teria que trabalhar o dia inteiro. E Ela trabalhou.. trabalhou dez horas seguidas e só baqueou por um breve momento.. mas bateu o pé.. teimosa como era. cumprindo a jornada longa de trabalhoe foi para casa. Naquela noite ela pode sorrir aos ver que chuviscava e era incrível como Destino parecia simpatizar com aquela garota de cabelos bicolores.. pele clara e lábios levemente carnudos.. Era incrível como os olhos escuros poderiam ver que a chuva apenas engrossou apenas quando ela pisou debaixo de um prédio. Ela sorria.. Sorria com aquilo que para muitos iria parecer algo de uma pessoa sortuda, quando na verdade ela até desejou que a chuva tivesse engrossado na metade do caminho do translado que ela percorreu no findar de seu serviço. Adorava aquele cheiro de umidade que ganhava o ar.. que molhava o asfalto e a grama. que molhava a terra sedenta de água. Podia escutar o doce som da chuva que parecia clamar para que ela se aventurasse.. que molhasse o casaco negro e pesado que ela estava a vestir.. que molhasse a camisa marrom que estava por baixo ou o Jeans com aspecto de quem tinha sofrido um acidente e remendado a calça por gostar demais para jogar fora. Mas ela sorri.. fechando os olhos.. sentindo aquele cheiro de umidade no ar, como se fosse até mais precioso do que o próprio ar.. erguia a cabeça respirando fundo e sorrindo, até sentir a chave adentrar na fechadura da porta de vidro jateado de areia e abaixar a cabeça abrindo os olhos mais uma vez. A porta era empurrada e então o som da chuva era deixado para trás. Ainda não tinha terminado o serviço.. precisava colocar no ar.. algumas críticas que ela tinha que fazer.. tinha que ver as correspondências.. e principalmente ter a certeza de coisas que ela tinha pensado o dia inteiro.. nada como algumas poucas escadas.. um elevador e uma outra porta aberta.. nada como a escura sala para escutar aquela voz seguida de um abraço de quem estava sentindo falta de abraçá-la e um sorriso que surgia nos lábios.. o trabalho seria adiado por um tempo.. um ínfimo tempo e então keyra se virava* Eu também estava com saudades de você... * Ela sorria indo fazer algumas coisas que tinha que fazer.. escutando aquela conversa animada e depois indo ao quarto. Minutos delongados naquela conversa que parecia ser movida por um par de baterias Duracell e finalmente algumas músicas tranqüilas.. a conversa foi terminando como o ressonar de uma criança embalada nos braços de Morpheus e ela finalmente poderia terminar o trabalho que esperava por ela. O computador era ligado.. algumas pesquisas eram feitas. e logo ela estava escrevendo o que tinha que escrever.. Um texto longo, mas necessário. Críticas bem explicadas e o corpo que gritava dizendo que estava cansado. Ela enviava a críticas.. colocava-as naquele mundo que ela vivia boa parte do tempo imersa.. veria se teria resultados positivos no futuro. Afinal.. ela escrevia por que gostava.. As costas doíam um pouco, mas ainda não podia parar.. Keyra abria algumas janelas necessárias na tela que continha milhões de pixels e formavam algo digno de ser observado.. mandava algumas mensagens.. navegava em alguns lugares.. e veria quanto tempo aguentaria.. memso o cansaço querendo tombá-la* não.. não será agora.. *murmura.. deixando aquele computador trabalhando em alguns serviços agendados outrora.. e se erguia.. vestia mais uma vez o casaco negro.. pegando as chaves de casa.. e a bolsa. precisava andar um pouco.. mas ao sair do prédio.. Seus escuros olhos podiam ver que não mais chovia* Paciência.. quem sabe outro dia? *O celular dentro da bolsa mandava um alerta.. calmamente pegou o celular e sorriu ao ver de quem era a mensagem.. enviando a resposta para quem buscava notícias*

Heironeus: Guerra e destruição definem o que eu sou. Não as guerras fúteis e estúpidas que vcs mortais Travam. Não a guerra por riquezas, ou um irrisório Ganho pessoal, ou por um ridículo e minúsculo Pedaço de terra. Minhas guerras são maiores.Eu viso o genocídio. O extermínio completo de meus Inimigos. Deles, de suas famílias, de seus amigos, De sua raça e toda a lembrança de sua cultura pervertida, Nada deve restar daqueles que entram em meu caminho, Nem mesmo uma leve memória. Minhas tropas combaterão pela supremacia de um ideal, Uma forma de viver que precisa ser imposta sobre Todos os outros. A simples noção da existência de uma Divergência nos enoja. Nos da motivo dá motivo Suficiente para desejar a destruição de nossos Antagonistas com cada fibra de nosso ser. Não somos apenas um exercito, somos uma força A ser considerada na balança cósmica da existência. Deuses tremem diante de nossas tropas. Deuses Choram ao presenciar nossos massacres. Vocês nos chamam de demônios, pois é o Maximo que suas mentes curtas e primitivas conseguem Vislumbrar. Mas nós somos mais. Nós somos Guerra e Destruição. "Então as nuvens rubras tomaram o céu, como um hóspede inoportuno, que surge de repente e toma conta de tudo antes que alguém se dê conta. Em seguida, veio a chuva. Gotas de sangue ácido, corroendo o que encontravam pela frente. Milhares morreram, cedendo ao seu toque abrasivo. Mas era só o começo. Pois vieram os demônios. Disformes misturas de humano e inseto, trazendo morte, dor e loucura..."

sexta-feira, agosto 25, 2006

24.08.06

Keyra McKellen: *O casaco negro ainda se mantinha aposentado, mas os cabelos bicolores fariam parte da vida de Keyra por muito tempo. Cabelos bicolores, A pele clara para não dizer quase transparente por não tomar sol, e poderia estar com as botas de caminhada de sempre. Mas naquela noite. Especialmente naquela noite... Keyra estava descalça. Não porque estava em casa, mas por que a bota de caminhada estava ao lado dela enquanto ela se mantinha sentada pensando na vida em um parque. Não se preocupava se estava de noite e nem se preocupava com os malditos Fogs de Londres. Aquela noite estava bem diferente. Descalça e com um casaco branco feito em linha? Para quem conhecesse Keyra, com certeza ela estava bem diferente naquela noite. O Cigarro continuava guardado na bolsa e Keyra não estava sentindo falta. Tinha alguns dias que ela não sentia falta do vício maldito. Parecia não se lembrar também. Estava tão letárgica naqueles dias. Ela sabia que o pequeno estava bem na casa que eles estavam naquele maldito país de Bastardos. Mas ela não se preocupava com isso. A cabeça se recostava na árvore que estava logo atrás dela. Os olhos escuros apesar de estarem sombrios, estavam um bocado distantes por sinal. Keyra sentia uma leve pressão na altura da clavícula direita e os lábios levemente carnudos se mantinham fechados apesar dela estar pensando em soltar murmurares que viessem a dizer algo se alguém se aproximasse. Mas, Londres era Londres... E os parques não eram visitados à noite. Talvez se fosse por um Jack Estripador... Quem sabe? Ou até mesmo um dos mirabulosos casos de Sir Arthur Conan Doyle... Mas não era momento para se pensar naquilo. Esperava notícias para saber se certo Rei Branco recebeu ou não o pacote do Rei Negro que armara a emboscada*

Rigtheous Wrath: *Apreciava caminhar pela noite, principalmente pelas ruas de Londres. Todo o romantismo que envolvia aquele lugar, as histórias que lia, tudo parecia de alguma forma remetê-lo a um saudosismo. Não parecia se importar muito com o ar frio e úmido, trajava-se como um transeunte qualquer, com calças e sapatos sociais, pretos, e uma camisa branca, por cima um casaco parecido com aqueles que jogadores do time de futebol usavam. Notou Keyra parada, perdida em seus próprios pensamentos* Anseio... *disse ele em voz baixa enquanto se aproximava. Tinha uma expressão séria, um tanto rígida, mas que não deixava de passar alguma maleabilidade. * Não há nada como o ar daqui para relaxar, não é? *sua voz era baixa, quase rouca, com certo sotaque como se não fosse aquela seu idioma natal*

Keyra McKellen: *ele pode ver aquela moça que não aparentava mais de 25 anos e de pele extremamente branca. Típica de quem ousava não tomar muito sol. Os cabelos Bicolores, parte, castanhos e parte Ruivos balançavam vez ou outra por conta da brisa noturna. * Já pude provar de ares mais agradáveis para relaxar, mas tem certeza ao afirmar que aqui dá para relaxar ou se perder em pensamentos* A voz vinha em tom baixo em um sotaque extremamente carregado que não pertencia àquelas terras de Londres. Ou como diriam... Às terras da Rainha. Ele havia algo mais antigo, um sotaque que poucos utilizavam, ainda mais quando se tratava daqueles que não aceitavam as pessoas que cometiam impunidades em vão contra eles. * Quanto ao Anseio... *Volta a olhar para frente. Não tinha como não ter escutado a fala baixa já que o parque estava praticamente abandonado* devo confessar que realmente existe tal anseio. Sendo assim, preferi vir ao parque para pensar a respeito do assunto... *voltava a olhar para ele, com os olhos um tanto quanto escuros. Difíceis de definir se eram castanhos... Castanhos escuros ou até mesmo negros devido a luminosidade* O que o traz ao parque a uma hora como esta Sr.... *era esperta... Deixava a lacuna para que ele desse um nome formal para que ambos conversassem de forma calma, mesmo parecendo tão estranhas as circunstâncias da conversa. *

Rigtheous Wrath: *A garota era realmente um tanto vívida, no mínimo diferente, apenas pela primeira impressão que ele havia captado. Normalmente as pessoas com quem ele interagia deixavam passar pequenos sussurros que não favorece aos seus egos. Rigtheous não pode esconder um contido sorriso de satisfação. Colocou ambas as mãos para dentro dos bolsos da calça e deu mais alguns passos na direção da garota, como se julgasse que ela não o veria como algum tipo de ameaça. Tentava captar as pequenas nuances que ela esboçava. O sotaque tão diferente quanto o dele e de uma profundidade rara naqueles tempos. Aquele lugar não deixava de surpreendê-lo. Como Keyra, Righteous tinha a pele bem branca, tinha o aspecto meio franzino, mas com uma austeridade ímpar. Os cabelos longos acompanhavam o movimento da brisa sobre o parque* Tenho certeza que deve ter provado de ares mais agradáveis... *disse, como se não tivesse terminado seu raciocínio* Pode me chamar de... John... John Doe. *esboçou um meio sorriso com a piada que talvez ela não entendesse* Venho aqui provavelmente pelo mesmo motivo que você. Um passeio, um descanso. *suspirou pesadamente enquanto erguia o olhar para o alto. *

Keyra McKellen: *ela puxava as botas de caminhada que estava ao lado dela e com calma colocava novamente as meias e depois as botas... Amarrava com calma os cadarços e escutava o que ele dizia sobre o passeio do parque* Me admira escolher um ambiente como este... John Doe... *fala com calma em tom baixo, voltando a olhar o ambiente mais à frente* Poucas pessoas parecem despreocupadas em andar de forma calma nos parques que esta terra oferece. Se não fosse pelo horário, talvez eu visitasse as catacumbas e ficasse lá a observar os crânios... Quem sabe a dialogar sobre as possibilidades do porque eles foram condenados... *volta o olhar com os cantos dos olhos voltando a recostar-se no tronco da árvore... A pressão sobre a clavícula direita estranhamente passara* Creio que não gosta muito de andar ao sol... Apesar de que dependendo da época, esta terra oferece mais dias sombrios com seus Fogs do que o sol propriamente dito.

Rigtheous Wrath: Visitar as catacumbas, uh? *fez uma pequena pausa, enquanto observava Keyra a se arrumar, os olhos fixos ao corpo da mulher pareciam procurar por pequenos detalhes que poderiam dar mais detalhes sobre a postura, a personalidade da mulher. * É um passatempo... uhn, exótico? *sua hesitação nas palavras era proposital, apenas um jogo de palavras e não um acanhamento genuíno. * E qual é a metodologia que você usa para descobrir a razão de terem sido condenados, uh? Há tantas formas de morrer como há formas de viver... Ou estou lidando com um gênio, uh? *deixou que um sorriso de canto de lábios escapasse* Realmente, mas ainda assim, não deixa de ser um lugar agradável... Mesmo com toda a escuridão *deliberadamente, evitou a pergunta que ela havia feito sobre andar no Sol. *

Keyra McKellen: *ela puxava uma das mechas bicolor do cabelo, que tinha pendido e ficado à frente do olhar dela, para trás e suspira de forma longa enquanto ele falava sobre como ela descobriria por que as pessoas foram condenadas. Por um momento ele pode ver um sorriso com o canto dos lábios, enquanto ela apoiava as mãos ao solo gramado e se erguia com calma... Por um tempo de cabeça baixa ela bate uma mão à outra de forma leve a espantar talvez um pouco do barro e do gramado que ficara preso às mãos* Com certeza é um passatempo exótico. Digno de turistas de todo o mundo, quando eles resolvem visitar as catacumbas. Quando tentam descobrir os caminhos utilizados para a maior tentativa frustrada de terrorismo... Remember... Remember.. *ela murmura sorrindo se lembrando de uma frase, que muitos ainda se lembrariam* Quanto a descobrir o porquê da condenação... *ele pode ver o sorriso de Keyra se alargar, enquanto os olhos dela se erguiam na direção daquele rapaz que puxara a conversa* Converse com eles... *estava sendo sarcástica? Irônica? Ele pode notar ela levar as mãos aos bolsos do Jeans que ela usava. Aparentemente nova isso era certo, não devendo pesar mais do que os 60 kg para quem media entre 1,70 ou 1,75... * Eles podem dizer algumas coisas interessantes... Mas lógico... Isso se você acreditar em espiritismo ou acreditar em fantasmas... *ele podia ver-la andando um pouco como se fosse rodear a árvore e então abaixar um pouco o corpo e pegar algo no chão... E então Voilá... Pegava uma bolsa em tons marrons que tão bem se disfarçara perto da árvore*

Rigtheous Wrath: *ouviu as palavras de Keyra com demasiada atenção. A conversava tomou um rumo de certo interesse para ele. * Pelas catacumbas, é? Hah, estes turistas... *levou uma das mãos a nuca, como se risse de sua própria ignorância. * Você sabe é... mm... *arqueou uma das sobrancelhas como se esperasse que ela, naquele momento, preenchesse o espaço deixado para completar com o seu nome. Continuaria a falar de uma forma ou de outra* Eu acho que não é tão tarde assim como diz *olhou para o pulso, puxando a blusa, para que pudesse ver o horário naquele momento* Eu não conheço destes costumes... Talvez você não se importasse de mostrar isso para um perdido turista. Quem sabe não posso descobrir algo interessante também, uh? *deu alguns passos se afastando dela e logo parando, de costas para ela. Mãos nos bolsos, sem a olhar* Eu não sou tão cético a ponto de desconsiderar a presença de coisas sobrenaturais... Você sabe... *sua voz se tornou um pouco mais grave, quase solene* Se o Altíssimo permite que humanos andem sobre a terra, porque não permitiria que suas almas perdidas não vagassem pelo limbo? *fez uma pequena pausa de função puramente dramática, retornando ao tom mais baixo e rouco de voz em seguida. *

Keyra McKellen: *ela coloca a bolsa devidamente com a alça presa ao ombro e abrindo-a tira de dentro um celular e verifica as horas. Com certeza era uma pessoa que não dava muita importância de verificar o tempo inteiro que horas poderiam ser, já que dispensava um relógio e usava o celular para tal função* tem certeza... Não está tarde o suficiente para que a visita às catacumbas seja negada... Mas creio que a visita ao local deverá ficar para outro dia ou para outra hora... Primeiro tenho que me preocupar com pequenos assuntos pendentes* realmente ela tinha que se preocupar... O pequeno estava em casa assistindo um desenho qualquer... Para ele, aquela terra ainda era estranha e Keyra não podia facilitar muito em certos pontos, já que ela tinha levado o pequeno junto com ela. Nada das notícias sobre o pacote ter sido entregue ainda e isso estava começando a deixar mais pensativa. * Eu poderia explicar as coisas com calma... Isso seria certo... Talvez em uma tarde neste mesmo parque... Quando o sol estiver um pouco mais ameno... *dava de ombros e começava a caminhar um pouco* As tardes também costumam ser bem mais tranqüilas... Creio que na verdade a esta hora... Eu diria que para turistas perdidos arriscarem as catacumbas não seria nada agradável. Mesmo sendo abertas ao públicos, algumas pessoas acabam.. *ela sorri e olha por cima do ombro* desaparecendo...

Rigtheous Wrath: *seus olhos, sempre tão abertos além do que seria considerado normal, podiam ver os resquícios de preocupação da mulher, talvez fosse um sentido materno... Talvez fraterno, de esposa. Franziu o cenho, como se quisesse ver mais além do que já era capaz de ver, as pequenas fagulhas da aura da mulher pairavam ao seu redor e vez ou outra lhe dava um vislumbre de como ela se sentia. Ela não parecia estar fazendo algum tipo de brincadeira quando falava sobre a questão dos mortos e a iminência de ela tomar seu caminho, fez com que Rigtheous desse um pesado passo a frente, mas que logo recuou, como se ele se restringisse a não detê-la de seu caminho. Vendo que ela estava de costas para ele, meneou a cabeça em negativo, tentando juntar seus pensamentos. Conhecimento, o doce néctar que aos seus lábios era tão saboroso. * Talvez em uma outra ocasião... *sorriu, sem jeito, interiormente não muito feliz com o proceder que se teve. Era impaciente às vezes. * A propósito... O mesmo anseio que senti quando me aproximei de você... uhn *olhou ao redor* ainda posso sentir em seu, uhn... Maneirismo. Talvez tenha algo que um turista poderia fazer por você antes de se perder no caminho para o porto.

Keyra McKellen: *se havia algo de estranho na aura de Keyra... Era ver que realmente ela parecia estar ansiando por algo... E ao mesmo tempo em que estava preocupada com algo... Mas às vezes... Isso tudo parecia tornar-la em alguém fria e certa em seus objetivos... Ela tinha olhado para trás. Tinha visto o arrastar do pesado passo que recuara... E voltou a olhar para frente escutando as palavras que poderiam ser mágicas... "Talvez em uma outra ocasião"... Sim... Sempre havia outras ocasiões... Algumas pessoas estranhamente esbarraram com aquela escocesa mais de uma vez... E sempre foram ocasiões estranhas* Meus maneirismos muitas vezes entregam muitas coisas... Ou talvez eles possam ser vistos como atos mecânicos um tanto quanto disfarçados para apenas apresentar às pessoas aquilo que elas querem observar... Tal qual um espelho... *ela se voltava sob os pés enquanto se afastava em passos lentos andando para trás* O algo... Que se poderia fazer... É deixar que Destino guie seus passos... É o máximo que você poderia vir a fazer... Quanto a me perder... *ela sorri virando-se para frente... Não... Com certeza ela não iria para o porto... Mas iria para um bar... Quem sabe para se aprofundar mais ainda em seus pensamentos, antes de retornar para casa e ver como o pequeno se encontrava* Eu com certeza não me perderei... Mas é mais fácil que você se perca em minhas palavras e meus devaneios e fique mais perdido do que se encontra... *A voz dela ia ficando cada vez mais baixa enquanto ela se afastava e deixava que o Fog que se deitava sobre Londres começasse a esconder seu corpo de mulher de cabelos bicolores*

Rigtheous Wrath: *esperou que a mulher sumisse em meio a névoa, ficando apenas parado a observando, até que sua silhueta se extinguisse por completo.* Hum... yahia... yahia... *se abaixou próximo onde a mulher estava mexendo anteriormente e pareceu tocar, como se procurasse por algo* Talvez, mulher... Talvez. *se levantou e olhou ao redor. Chegar ao porto no meio daquela névoa seria um serviço quase homérico para ele* Talvez se eu tentar a esquerda... *tomou seu caminho contrário ao da mulher*

Keyra McKellen: *ela parecia não ter esquecido nada por ali... Apenas a presença dela era o que poderia ter como resquícios daquela conversa que ambos tiveram... Sim... A silhueta dela pode ter desaparecido em meio ao fog... O que poderia ser uma coisa de 3 metros a cinco metros, já que o fog estava um tanto quanto denso... Denso como ela tinha citado uma vez... Cenário típico de Sir Arthur Conan Doyle... Mas palavras são sempre palavras e mesmo baixas em um local deserto... Podem ser ouvidas... Como os murmurares dos ventos... Ela sorria com as mãos ao bolso da calça, mesmo não podendo ver o vulto do estranho rapaz... “Esquerda”... Ela para pensativa por um tempo. Tentava se lembrar do mapa de Londres... Não... Não... À esquerda era capaz dele chegar a Scotland Yard... * "Mais sorte na próxima vez" *pensava sobre as dificuldades que o Fog impunha sobre os desavisados turistas... E então girou sob os pés... Talvez assim... Apenas assim o rapaz se desse conta de que a moça de cabelos bicolores talvez não estivesse tão longe dali*

segunda-feira, agosto 21, 2006

21.08.06

Keyra McKellen: *O casaco negro estava aposentado já tinha alguns dias. O calor andava um pouco insuportável e Keyra não andava muito no clima para usá-lo. Tinha feito uma breve viagem para visitar uma outra amiga. Mas viagens são viagens e infelizmente aquela havia sido curta.. A volta a vida não tão rotineira agora, já que ainda estava de férias estava aumentando em muito o nível de Stress.. a vontade de gritar e ao mesmo tempo de se entregar a letargia crescia cada vez mais em Keyra Mckellen. Ao menos ela ainda não tinha mergulhado no obscuro quarto da depressão... Estava estranha isso era certo.. todos que a conheciam diziam isso.. estava se isolando mais do que o normal.. mas os cabelos ainda continuavam bicolores. Ficariam deste jeito por muito tempo. Keyra pensava nos últimos dias em que algumas coisas engraçadas aconteceram assim como coisas chatas. Mas na verdade preferia esquecer isso.. estava gastando dinheiro e não estava nem aí se no final das contas arranjaria dinheiro tão cedo ou não. O importante era curtir o momento do despendio da grana. Os olhos sombrios estavam fixos nas linhas que seriam lançadas como uma isca. Sim.. por que não pensar que suas linhas escritas.. às vezes de forma extrovertida às vezes um tanto quanto sombrias.. e às vezes preocupantes demais para acharem que ela poderia ser uma psicopata em pessoa, não eram iscas para atrair a atenção de olhos mais argutos? Ela sorri com os cantos dos lábios.. tinha conseguido ao menos passar um dia sem o maldito vício que insistia em querer voltar. Mas estava tentando se esforçar em largar o vício que parecia tão convidativo em momentos como aquele.* tenho que manter minha mente ocupada* murmura enquanto escuta um riso que escapava. Sim ela estava em casa e demoraria a sair naquele dia. Um certo amigo perguntava se aquilo seria uma forma dela descontrair enquanto fazia suas viagens.. e ela dava de ombros dizendo que podia até ser... mas em sua mente, enquanto pensava no que as linhas dela atrairiam, Keyra escutava o celular tocando* McKellen... *murmurava de forma baixa escutando uma voz bem conhecida. O sorriso se alargava então* Sim.. Sim.. eu estou com um pedaço de papel aqui.. poderia repetir? *Keyra então anotava um endereço.. escrevia-o de forma rápida, enquanto deixava o celular preso ao ombro e ao ouvido. Mantendo uma das mãos a segurar o dito papel, que na verdade era um retrato retirado de um jornal com o título da notícia ao qual foi empregado aquela foto. escrevia no rosto da pessoa que aparecia na foto, com um olhar sádico para quem visse a Keyra quando ela estava em seu estado mais sombrio* Está anotado. Fico te devendo esta... *ela apoiava a caneta sobre a foto do jornal e então girava a cadeira* Não.. não.. eu não quero este tipo de servicinho.. não no caso dele.. mas assim que surgir um serviço eu prometo que chamo você.. seja aonde for.. esteja aonde estiver.. *sorri se erguendo* Sim.. sim.. estarei indo para as terras da Rainha em breve.. não se preocupe.. eu sei o que eu faço.. sempre soube.. apesar de ter as minhas dúvidas de vez em quando... *Keyra então chegava perto da porta escutando então o som de um desenho que o pequeno adorava* é.. ele está bem.. às vezes um pouco arredio.. mas bem... *voltava para o local onde estava o computador, o segundo vício que ela possuía* pode deixar.. eu entro em contato.. você sabe que eu sempre entro, não? *sorria escutando mais algumas palavras e depois se despedia.. estava na hora de arrumar as malas* HEY!! ESTAMOS PARTINDO AMANHÃ!!! *começava a arrumar as malas sabendo das várias reclamações que ouviria. escuta a fatídica pergunta se eles estavam voltando para casa e ela responde* em breve pequenino.. em breve.. tenha paciência... *ela pode escutar então o bufar e logo sabia que ele estava a ver a tv de novo... no fundo apesar da vida conturbada que o pequeno dava a ela.. ela se divertia um bocado depois, relembrando de tudo. Teria que fazer o tempestinha dormir mais cedo.. mas como ele tinha acabado de tomar um banho quente bem demorado.. e ao som da tv.. ela sabia que não demoraria muito para que ele estivesse sob efeito das areias de Morpheus e logo estaria entregue as terras de Sonhar.. ela poderia vir até contar nos dedos o tempo que ele seria nocauteado pelo sono, já que ele tinha tido um dia inteiro de diversão na Terra da Oportunidade.. O silêncio do pequeno se fazia grande.. ela escutava apenas o som da TV e então com passos calmos chega à sala e pode ver o pequeno em seu ressonar... Sorri pegando uma coberta, pois mesmo estando calor ela não acreditava na sorte e cobre o corpo do pequeno.. por um tempo mais ela trabalha em cima de uma coisa ou outra.. conversa com os contatos que ela possui nos mares virtuais e então resolve dormir.. sabe-se lá quantas horas dormiu.. tinha se entregue àquela letargia tão gostosa e apenas escutou o som do telefone com uma voz conhecida a dizer* O táxi estará aí em meia hora.. levante-se e lave o rosto... *escutava aquela voz e se perguntava como ele poderia saber que ela estava entregue a um dos pecados capitais.. mas apenas desliga o telefone depois de um obrigada se erguendo em seguida.. o pequeno ao menos soube se virar bem sem a presença dela.. estava de novo na frente da TV e com as malas já na sala, parecia não dar muita atenção ao aspecto sepulcral que ela se encontrava.. talvez fosse um erro levá-lo junto daquela vez.. mas Keyra não se importava.. por que não ao menos daquela vez? Acaba sorrindo e então lavando o rosto e se arrumando.. a buzina do Táxi se fez presente e ela apenas pegou as malas* desligue a TV.. *o pequeno atendia e os dois iam então para o aeroporto... era momento de regressar a uma terra desgraçada.. malditos fossem os Ingleses.. mas de lá iria para casa.. para as Highlands.. Mal pode notar o transcorrer do caminho.. acabara dormindo.. cochilando no transcurso.. acordou com o pequeno a discutir com o taxista e ela quando olhou a quilometragem falou para o Taxista* tente roubar as pessoas que desconhecem o valor da próxima vez... *resmunga retirando as malas e deixando o pequeno sair... quando ela paga apenas o que seria o condizente o taxista sai reclamando e então pode ver Keyra se virando e o olhando nos olhos com um olhar muito obscuro.. O celular tocava e ela escutava a voz conhecida ao atender* Não.. se preocupe.. *O taxista olhava o descaso da mulher e ao que tenta se aproximar o pequeno grita* POLÍCIAL... ESTE HOMEM ESTÁ QUERENDO ROUBAR A MINHA MÃE!!! * Uma criança é sempre uma criança e elas sabem muito bem como chamar atenção.. Keyra sorria com os cantos dos olhos.. o pequeno era esperto e o Taxista engolia a seco vendo o policial a se aproximar* Algo errado Srta.? *O taxista se adianta sorrindo e olha para o policial..* Não.. não.. nada de errado.. na verdade eu.. ahn.. estava desejando uma boa viagem para a srta. e seu Filho.. *O pequenino bate o pé no chão, enquanto Keyra verificava o horário* NÃO.... NÃO.. E NÃO... ELE TENTOU ROUBAR A MINHA MÃE... SÓ POR QUE ELA DESCANSOU NO TÁXI.. ELE QUIS COBRAR MAIS CARO... *o pequeno era esperto.. Keyra tinha ensinado bem o valor das coisas para ele.. e o policial olha para o Táxi e para a Keyra* Isso é verdade? *Keyra dá de ombros* devo concordar com o pequeno... a quilometragem do local que eu estava para o aeroporto não passa de 30 dólares.. faço sempre este trajeto quando estou por estas bandas.. nunca tive que pagar mais do que isso.. e hoje ele me cobrou 70 dólares.. *O policial olhava para o Taxista e ía checar o que ela dizia.. Keyra indica o endereço e o Taxista se adiantava* mas... mas... eu aceitei o valor Sr. policial.. *e o pequeno não perdoava* só porque eu chamei o policial.. *estava irritado com a viagem.. era claro que aquele vôo seria um inferno* Policial... eu realmente preciso embarcar.. já que o Taxista aceitou o preço justo.. creio que ele não fará mais isso não? *O policial olhava para a Keyra e perguntava se ela não abriria queixa.. ela dizia que não, mas o policial resolveu acompanhar a mulher de cabelos bicolores e a criança até o Check-inn e depois para o portão de embarque.. o pequeno saiu um pouco de perto para comprar chiclete pois assim Keyra deu dinheiro para ele e o policial solta em baixo tom* se quisesse... com certeza o taxista não faria mais isso.. mas Boa Viagem mesmo assim.. espero que sua caça seja bem sucedida... *ela sorria apertando a mão do policial* Obrigada pela dica do endereço... eu te ligo quando chegar lá. *o pequeno se aproximava e então Keyra ia para o portão de embarque. O pequeno sorria* que policial legal... *keyra sorria, não podia dizer muitas coisas sobre o "policial" mas sabia que aquele Taxista estaria com os dias contados.. O celular tocava mais uma vez.. ela via o número e atendia* Sim.. sim.. eu sei me cuidar... Huuum a respeito daquele assunto.. tá.. considere como um serviço então.. *ela passava a mala pelo detector e o cara da alfândega via o pequeno correr de um lado para o outro* olha.. preciso desligar.. mas eu te ligo do avião.. é.. é.. para continuarmos a conversa e você me dizer como foi seu trabalho.. ok? *ela sorria e desligava o celular... passando pelo detector de metais e pegando o celular do outro lado depois que ela abria para provar que não carregava uma bomba no celular.. Keyra e o pequeno pareciam ter chegado no momento certo do embarque e eles entraram no avião .. ela escolheu um local bem no meio... diziam que era o pior local já que era perto das asas.. turbinas.. verdadeiros tanques de combustíveis o melhor local para não escapar de uma explosão.. mas ela mesmo assim ía ali.. ao centro de tudo.. escutando o pequeno mascar o chiclete... já reclamando de um monte de coisas.. Keyra pegava na bolsa o pequeno isqueiro azul e olhava para ele* Hora de sobreviver não? *murmurava e o pequeno a olhava* você prometeu.. *ela suspira* sim.. eu prometi..*guardava o isqueiro e suspirava.. o pequeno não sabia.. nem poderia saber ainda que ela tinha voltado ao vício mais uma vez.. mas ela estava se esforçando.. estava tentando largar o vício maldito... tinha que fazer isso, não só por ele.. mas por uma pessoa mais. A viagem começa.. vinha toda aquela parafernália e burocracia para que desligassem o celular, apertassem os cintos e o restante todos sabiam bem o que devia fazer.. o pequeno tentava fazer bolas com a goma de mascar.. dava uma goma para Keyra.. pedindo que ela o ensinasse.. e Keyra mascava a goma de sabor de pasta de dente que o pequeno tanto gostava.. mascava uma.. duas, mais algumas vezes e começava a fazer as bolas.. tentando ensinar ao pequeno.. ele estava começando a aprender, mas ainda não achava justo ele não conseguir fazer uma bola tão grande quanto Keyra fazia e logo vinha aquele Bico enorme e aquela cara zangada com os olhos a lacrimejar* Não é justo... *Keyra sorria.. se lembrava de um antigo filme de uma garota que dizia isso o tempo todo... mas a vida nunca era justa.. nunca seria... quem ligaria no fim das contas? o avião continuava a sua viagem longa à terra da rainha e então ela pode pedir para fazer uma ligação... Detestava ligar de aviões.. mas ele tinha lá seus meios* Oi.. sim.. *ela olhava para o lado.. via o pequeno empurrando a cadeira da frente com os pés.. enquanto mantinha os braços cruzados* Não é justo... *o pequeno reclamava e ela voltava a olhar para frente* é.. é isso mesmo... *falava pouco de forma que quem falava com ela compreendesse o quadro em que ela se encontrava* Pensarei no caso.. mas *então ela escutava a resposta do que ela pensava em perguntar* Huuum... certo.. farei a transferência assim que ... *ela sorria* Isso está se tornando um vício para você, não? *O pequeno a olhava.. odiava aquela palavra vício.. compreendeu o sentido da palavra por conta da forma nua e crua que Keyra explicou o que significava aquilo.. Keyra então olhava para o relógio* eu aviso.. se algo der errado.. ok? *ela fechava os olhos por um tempo* certo... certo... nos falaremos depois... *O pequeno empurrava então com força o banco da frente a incomodar o passageiro que escutava a voz de Keyra a falar no telefone e o pequeno falando de novo* Não é justo... *O passageiro se levantava e se virava para ela* Olha aqui minha Senhora.. *quando o passageiro firmou o olhar naquela mulher com estranhos cabelos bicolores.. olhava para ela e para a criança e se perguntava se retificava em chamar a garota de Senhora.. já que ela parecia não passar dos 25 anos... seria irmã mais velha da criança então? Ela fazia um sinal de espera* depois eu falo com você.. o Inferno resolveu abrir as portas.. *Keyra desligava o telefone e então olhava para o pequeno* Olha.. eu sei que não é justo.. nunca foi justo para ninguém ok.. se você quiser eu te mando de volta para aquela terra infernal e você fica com seu pai.. certo? *O pequeno olhava para ela e respondia* Eu fujo de lá.. e você nunca mais me vê.. *fazia cara de zangado e o cara começava a se perguntar se falaria mais alguma coisa depois de ver o olhar dela sobre a criança* Você me pede para eu não continuar o vício.. eu estou tentando ok.. mas pega leve.. a vida não está fácil para ninguém.. você acha que é justo tudo isso que estou passando? *ela estava com os punhos cerrados e o passageiro começava a ter dúvidas sobre a garota* Não.. não é justo tá? Nunca foi Justo.. mas mesmo assim eu me esforço.. agora dá para você calar a boca e ficar quieto? *estava perdendo o controle... e o pequeno gritava com ela* Cala a boca Você.. eu te Odeio.. te Odeio.. *ela franzia o cenho.. o olhar estava bem próximo de alguém que iria explodir e espancar o garoto, mas ela então virava as costas e o passageiro via Keyra saindo de perto da criança.. a criança então deixava algumas lágrimas caírem enquanto Keyra se trancava no banheiro do avião.. sentando-se no chão e contando muitos números para tentar se conter e não chorar por conta do Stress e porque estava tentando largar o vício que tinha voltado com a desculpa dela não descontar a raiva em cima do pequeno* eu sei.. eu sei.. eu sei que o vício do cigarro não ajudará... *murmurava em voz baixa batendo de leve a cabeça na porta com os olhos fechados... depois de muitos números contados e de algumas batidas leves na porta com perguntas se ela estava bem.. Keyra se levantava.. lavava o rosto. e se olhava no espelho.. se lembrava de uma frase que escutou*"Estás muito mais para desespero neste exato momento, irmã.. " *Os olhos dela se fecham depois que ela se observou no espelho e ela respirava fundo.. abrindo a porta* Tu és Destruição meu caro Irmão.. Pois Ele Destrói para reconstruir.. para recriar o que já fora criado.. Destrói os sonhos daqueles que por ti são consultados.. moldando em suas mentes.. suas almas.. e seus corações.. o mundo que Você gostaria que eles vissem.. *A aeromoça não compreendia o que ela estava falando e apenas vê Keyra voltando para o banco.. o Passageiro que estava incomodado estava sentado ao lado do pequeno que estava de braços cruzados e chorando de forma silenciosa.. o homem olhava então para Keyra e se erguia.. antes que ele viesse a falar algo.. Keyra abriu passagem para o passageiro.. sentou-se ao lado do pequeno e puxou-o para perto depois de erguer o braço do banco.. fazia-o deitar sobre suas pernas e afagava os cabelos do pequeno.. o silêncio se fez presente entre os dois.. e o homem já não compreendia mais nada quando escutava o pequeno desabafar* Te amo...*ela suspirava e murmurava* eu também... *O resto da viagem foi tranqüila e depois de desembarcar o pequeno corria no aeroporto.. estavam na Terra da Rainha.. agora faltava muito pouco.. Keyra retirava do bolso a foto do jornal amassada.. olhava mais uma vez o endereço e suspirava* Rei negro derrubado no tabuleiro... *Guardava de novo a foto e via o pequeno perguntando se podia comprar uma lembrança.. uma revista.. alguns doces.. livros e tudo o mais que ele via... e Keyra apenas entregava a ele o dinheiro enquanto se preocupava em pegar a bagagem.. ele saberia se virar.. Keyra pegava a bagagem.. passava pela alfândega.. deixava tudo certo e ia caminhando para a saída do aeroporto.. o pequeno voltava correndo para a alfândega e perguntava sobre uma mulher de cabelos bicolores. o rapaz informava que ela estava indo para os táxis e que tinha sido este o recado.. Crueldade? na verdade não.. Keyra estava a chamar um táxi quando o pequeno se aproxima e falava que ela o abandonou.. Keyra sorria e o olhava* e você estava bem achando que eu iria embora sem você? *O taxista sorri.. era um jeito estranho o dela, aquele sotaque escocês era bem forte.. mas era um sotaque que era pouco usado na escócia.. o gaélico. apenas os Highlanders falavam com gosto aquele tipo de escocês. ela abre a porta e olha para o pequeno que entrava no carro.. * então? o que comprou? *O pequeno olhava para ela ao ver que as malas tinha sido guardadas e que Keyra se sentava ao lado dele.. relatava tudo que tinha comprado para ela, enqunto ela dizia o endereço para o Taxista.. logo eles saíam do aeroporto e o pequeno não parava de falar. O táxi seguia os caminhos certos.. a moça escutava a criança que não parava de falar e apontava a ela os pontos turísticos que tinham no caminho.. o celular dela mais uma vez tocava* sim.. sim.. eu já estou na terra da rainha.. uhum.. ele está mais calmo agora..*ela olhava pela janela, os prédios.. era um local interessante, se não fosse pelos malditos ingleses arrogantes com sua mania de se acharem os melhores... tá certo que naquele dia aquele maldito bastardo a venceu.. e lógico.. ela trapaceou.. enxergou um caminho que Destino a mostrou depois de um tempo de refletir sobre o vulgo xeque-mate que não foi xeque-mate.. mas no fim.. foi divertido* é.. estarei naquele mesmo local que eu costumo ficar nesta terra com Fog.. cenário típico do Sir Arthur Conan Doyle... *ela via o local se aproximando e o táxi diminuindo a velocidade... o taxista olhava para ela e perguntava* Ficará por aqui? *ela sorria e deixava o pequeno no carro* não.. só levarei um pequeno tempo aqui para acertar umas contas *O cara sorria* então você.. *ela batia a porta do carro* espero que você tenha seguro de vida... *O pequeno mostrava a língua a ela e via a placa dourada na entrada do prédio* Psi.. Psi...có.. *arqueava a sobrancelha e o motorista ria* Ela veio aqui para que? *O baixinho dava de ombros* não sei..* O motorista via então o pequeno lendo o que tinha comprado.. e lia em voz alta para o motorista escutar o que ele lia.. Keyra apenas subia as escadas e olhava então para onde devia seguir... chegou por fim no local destinado.. olhava para os lados enquanto a secretária olhava para ela* Poderia ajudar? *Keyra observava bem o local.. guardava bem na mente as linhas daquele lugar* quanto que é a consulta com o Dr.? *A secretária perguntava se ela era a paciente, se tinha a hora marcada, dizia sobre a agenda lotada do doutor e Keyra repete a pergunta* eu apenas perguntei quanto que é a consulta.. terei que desenhar hieróglifos para você compreender? *O sotaque carregado deixava bem claro a descendência de Keyra e talvez aquele olhar que agora se firmava nos olhos da secretária fizesse com que ela respondesse... o valor.. Keyra então leva a mão ao bolso da roupa que ela vestia e retirava o maço de euros.. jogando sobre a mesa da secretária o valor referido* diga ao Dr.. que o Rei negro pode ter caído no tabuleiro.. mas que o Destino mostrou outro caminho...*ela se virava e saía com calma e a moça não compreendia o porquê daquele dinheiro* Sra... espere... *Keyra apenas retruca* É bom que este dinheiro chegue nas mãos dele.. *Keyra sacava o celular e murmurava algo depois de ligar* Sim.. preciso de um serviço... preciso que você confirme se ele recebeu o pacote... *ela nem escutava mais a voz da secretária que ficava aturdida.. o que ela falaria para o Dr.? Que uma mulher de nome desconhecido de cabelos bicolores pagou o valor de uma consulta e disse coisas estranhas? Keyra nem sabia se a mulher iria anotar ou não o recado.. mas ela saía do prédio e podia ver o pequeno ler em voz alta alguma coisa para o motorista.. ela pode ver que o motorista se mantinha atento na leitura do pequeno.. o pequeno sabia cativar quando queria... Muitos diziam que ele era um amor.. mas não tinham conhecido o lado Sombrio do pequeno ainda... ela reclinava o corpo antes de abrir a porta e escutava o que ele estava a ler.. sorria.. o pequeno lia para o motorista 20.000 léguas submarinas.. os dois estavam tão entretidos ali que ela poderia fumar um cigarro que eles não notariam. mas não era hora.. Keyra abria a porta do Táxi interrompendo a leitura do pequeno dando ao motorista um outro endereço.. o pequeno reconhecia o endereço e sorria* OBA.. Poderei Ver meu desenho favorito!!! *ela sorria* Sim.. sim.. você poderá ver... *O taxista sorria e então partia daquele lugar indo para o local referido.. na mente de Keyra ela sorria, pois o Dr. poderia ter a vencido na partida de xadrez.. mas quem o colocava em Xeque era ela.. pois agora ela sabia aonde encontrar-lo.. já ele?* Chegamos.. *respondia o taxista e ela saia do táxi pagando pela corrida e pegando as malas.. o pequeno vinha atrás dela e abria a porta ao pegar as chaves no bolso de Keyra*ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ *Abria a porta deixando que Keyra se encarregasse do resto.. ligando a TV e indo assistir o desenho que tanto queria ver.. Keyra entrava.. trancava a porta e largava as malas.. ia para o quarto para ligar o computador.. sim.. o irmão ainda estava on-line.. ela falava algumas coisas com ele e a noite enfim terminaria... por enquanto*

domingo, agosto 06, 2006

Consulta Informal

Keyra McKellen: *Mal conseguia acreditar que ela tinha ido a uma boate comemorar o aniversário de uma amiga. Mal conseguia acreditar que passou a noite inteira dançando sem se importar com as pessoas ao seu redor. Para Keyra, aquela noite tinha sido ótima. Tinha se divertido um bocado. Riu um bocado, uma coisa que ela não fazia há muito tempo. Chegou a conectar na Net, apenas para verificar o movimento. Tinha sorrido de modo fraco ao ver o irmão dormindo e saiu de fininho antes que o despertasse. Mas Keyra tinha prometido ir ao serviço logo cedo e assim ela o fez.. segurou a barra por não mais do que duas horas até os outros assumirem seu lugar. E ela mesmo tendo dormido tão tarde, estava sem sono algum.. curtia o Parque, com aquele sol. Tinha comido alguma coisa e o casaco Negro e pesado, companheiro de guerra estava ali, perto dela. Não vestido, mas perto dela apenas. Os cabelos bicolores presos em um rabo de cavalo deixavam os fios acariciarem suas costas semi-recostadas no banco em que ela estava* é.. foi uma ótima noite sabia? *sorria deixando o corpo se esticar. A blusa negra que ela usava, era fora dos padrões normais. Nunca um decote daquele tinha sido usado. Um decote em V, que deixava uma pequena parte de seus seios expostos. Riu um pouco pensando que ela nunca tinha exposto tanto o corpo assim. Ainda assim o decote não a deixava vulgar e até mesmo os seios da amiga de longas datas eram mais avantajados do que os dela.* Ela realmente continua do mesmo jeito. Um tanto quanto ousada, mas bela e sedutoramente... *suspira sorrindo... ela não era lésbica, mas tinha grande admiração pela amiga.. Uma das poucas que ela considerava realmente amiga e os olhos escuros de keyra então se voltam para o banco vazio* Sabe.. não sei por que eu fico aqui a conversar.. e esperando uma resposta sua que seja.. mas mesmo assim, não se preocupe.. você ainda é meu banco favorito.. *Não.. ela não era louca, mas sim uma pessoa com poucos amigos na vida real e muitos amigos na vida virtual. Amigos.. Irmãos... e muito mais...*

Dr. Michael Glass: *Glass caminhava pelo parque. Os olhos de um azul acinzentado e frio buscavam ponto algum diante dele. Estava ainda pensativo sobre sua ida a New York, sobre o laudo que dera a respeito do psicopata preso há poucos dias. Imputabilidade, fora o que carimbara como resposta ao laudo. O individuo não estava apto ao convívio social e deveria ser mantido em uma instituição para loucos. Um manicômio judiciário onde teria sua vida constantemente vigiada por médicos que pudessem estudar sua psique compulsivamente assassina. Trazia nas mãos pálidas o jornal que ostentava sua foto na primeira página, como responsável pelo laudo.. e já havia recebido uma ligação naquela manhã de sua mentora, Dra. Gardosh, de que teria mais um bom trabalho para ele fazer quando retornasse a Londres. Uma famosa escritora acusada de homicídio culposo. O corpo de um jogador de Football encontrado enforcado na cama de um motel barato e vagabundo. Olhou o relógio de pulso, e avistou o banco no parque. Apenas uma mulher de cabelos amarrados que se sentava descontraídamente no banco. Caminhou até ela, soltando o botão que lhe prendia o paletó azul-marinho deixando o a gravata num azul cyan sobressair-se sobre a camisa de um branco imaculadamente impecável. Ainda tinha algumas horas antes de seguir para o aeroporto e embarcar de uma vez para Londres. Sorriu de canto à mulher num delicado cumprimentar antes de sentar-se no banco, cruzando a perna para apoiar o jornal que tinha à mão. Se tudo desse certo, o próprio hotel já teria se encarregado de enviar seus pertences para o aeroporto. Retirava os óculos de armação metálica e fina colocando-o sobre os olhos suavemente para aguçar sua leitura*

Keyra McKellen: *Keyra voltava a cabeça para frente até ver um homem passando diante de seus olhos, com o paletó azul marinho e uma gravata azul.. que cor era aquela, parecia ser algo cianótico.. teria que pesquisar depois no computador a cor, pois estava incerta. Via que ele desabotoava o paletó e ao que ele se sentou ao lado dela no banco. Keyra puxou o casaco que se encontrava repousado no banco e o colocou sobre as pernas.. cruzando uma dela e depois deixando os braços se apoiarem no recosto do banco. Pendia a cabeça levemente de lado, vendo o que o Dr. estava a ler. Apesar de que ela não sabia que ele era um doutor e jamais o classificaria assim, por conta do aspecto dele, se não fosse ela ter percebido no jornal que ele abria para ler a notícia.. A foto dele como o Dr. que deu o laudo do Serial Killer* Interessante.. *murmurava como se a murmurar para ela mesma em um pensamento alto, voltando a atenção dela para o parque logo à frente do banco, pendia para trás a cabeça, fechando por um tempo os olhos e sentindo os raios de sol a tocar a sua pele clara, para não se dizer pálida. Já que ela não costumava tomar sol em aspecto algum.. deixava um suspiro longo escapar, deixando os pensamentos voarem, de como era bom sentir o sol daquela forma e as carícias de Boreas, já que o sol não conseguia esquentar o vento ainda. Mesmo assim, ela mantinha-se sem casaco, sorrindo ao sentir-se a pele arrepiar-se.* Deve ter sido um caso difícil... *Soltava a frase como se não tivesse falado com o dr.. como se estivesse apenas a divagar os pensamentos enquanto mantinhas os olhos fechados e a cabeça pendida para trás*

Dr. Michael Glass: *Glass permanecia sentado calmamente, respirava com certo pesar enquanto os olhos percorriam a folha do impresso. A foto da garota machucada pelo SK.. a expressão doce que Donnald Blake.. não. não era esse o nome.. o garoto se chamava Henrick Blake, Donnald era na verdade seu alter ego, mesmo que psicologicamente ele tentasse comprovar exatamente o contrário, o que confundira todo o júri. Percebeu os olhos que passavam por seus ombros para vislumbrar a noticia, e talvez assim reconhecê-lo.. e escutou o suave murmúrio que vinha dos lábios da mulher ao seu lado que ajeitava o casaco sobre as pernas. O que haveria de interessante num casso mórbido como aquele? Não desviou a atenção para a jovem, não era um homem típico a este tipo de situação que se assemelharia a uma investida, manteve o rosto fixo ao jornal sentindo o vento calmo e os raios do sol que brindavam com uma temperatura que certamente sentiria falta quando retornasse aos fogs de Londres. e novamente a voz da jovem se fazia escutar. Ela agora falava do caso, era isso? Parou a leitura por alguns segundos, como se repensasse no que ela havia perguntado mais para si do que para dividir o questionamento.. responderia? Talvez fosse interessante saber o que a opinião pública falaria a respeito.. era a mente humana e a mente humana sempre o encantou. * Nem tanto.. como em todo caso patológico, bastava querer ver o óbvio. *respondeu no mesmo tom que ela empregava.. como se respondesse a si mesmo um pensamento*

Keyra McKellen: *ela escutava a voz do doutor. Abrindo os olhos com calma e vendo aquele belo céu azul com pinceladas brancas que eram as nuvens que pareciam passear de forma preguiçosa.. sorriu vendo uma que poderia se assemelhar com uma figura que poucos conseguiriam ver.. talvez apenas ela conseguia ver coisas onde as pessoas não conseguia ver. Sempre escutara isso das poucas pessoas que a conheciam, quando ela falava o que via em figuras. manchas no chão.. sombreamentos de cerâmicas e tantas coisas mais* Talvez para você que esteja na área... *falava de forma lacônica abaixando a cabeça* às vezes o óbvio se torna óbvio demais que as pessoas deixam de ver o que está diante de seus olhares... *suspirava, abaixando os braços e os apoiando nas pernas quando inclinava o corpo para frente, como se tentando enxergar algo que estava distante deles* Não deves julgar que o caso fora fácil *sorria* ou o julgamento de Donny não teria criado tanta polêmica.. *ela sorria, como se aquilo fosse óbvio demais para ela*

Dr. Michael Glass:*ele escutava o que ela dizia, mantendo os olhos tão claros quanto o azul do céu que ela estava a admirar há pouco. E sorriu de canto de uma forma que não a deixaria ter certeza de que era um sorriso ou um simples mover dos finos lábios no prenuncio de algo que poderia ser dito. * E não seria isto um erro? *respirava fundo e finalmente virava a página para ver a segunda noticia de seu interesse* As pessoas costumam procurar o que não existe. Costumam se encantar com coisas por demais fantasiosas, se apaixonar por sentimentos que não podem possuir... buscar o que não existe quando tudo está claramente e simplesmente diante de seus olhos. A verdade nua e crua como é e sempre foi... *deixou os olhos desviarem para ela por alguns segundos, e focarem-se nos dela.. achava engraçado como as pessoas pareciam criar uma espécie de vínculos com indivíduos patologicamente cruéis como Henrick blake.. A mulher o chamava carinhosamente de Donny, como tantos outros que havia escutado falar* O julgamento de Henrick Blake. *ele salientava* tornou-se tão popularizado por ter sido um crime violento. pelo caráter de crueldade que o envolvia. Jovens assassinadas que tiveram seus corações arrancados por um homem que julgava estar assassinando sempre a mesma mulher. Um homem traído em sua mente doentia. Por isso toda a repercussão. *ele voltava os olhos para o jornal seguindo as linhas impressas enquanto deixava-se finalmente sorrir por alguns segundos* Julgo fácil no sentido de que ele nunca.. em momento algum quis esconder de verdade quem ele era.. os jurados, a policia foi como um joguete nas mãos de Henrick Blake.. ou como o chamou carinhosamente.. Donny

Keyra McKellen: Não seria um erro se a vida fosse apenas uma verdade nua e crua, aonde os atos se tornariam simples gestos programados e sem emoções? *ela falava de forma lacônica olhando ainda aquele ponto distante* quão cruel poderia ser o mundo se não existisse as emoções, talvez teríamos um mundo aonde seríamos regidos por uma voz única que nos diria o que fazer ou deixar de fazer. Seríamos incapazes de dar nossas próprias vidas para proteger aqueles que amamos.. ou de tentar levar aqueles que são tão cruéis quanto o Henri.. a um julgamento que seríamos juízes, júri e executores *ela então voltava a se ajeitar no banco e olhava agora para o doutor.* Fora Henri que matou, quem dilacerou, que fez o que fez com aquelas mulheres que ele julgava ser a mesma mulher, Fora Henri, que fora largado pela mulher amada e que ativou o gatilho que trouxe o seu lado mais sombrio... Não Donny que diante dos olhares é uma pessoa que todos amariam conhecer e teriam pena.. que seriam capazes de defender com unhas e dentes.. *ela sorri voltando a olhar para frente* Não seria cruel, se um dia você visse a mulher amada morrer em teus braços e você nada fazer por que não sente emoções? *ela suspira abaixando a cabeça* e o que seríamos de nós se deixássemos de acreditar em coisas que não existem, de buscar o que está fora de nosso alcance.. de nos apaixonarmos por algo que não está diante de nossos olhares.. ou até mesmo chorar por pessoas que não conhecemos pessoalmente. *ela olhava para o outro lado retraindo um pouco os lábios, segurando um pouco a respiração* o que seriam de seus sonhos.. se você nunca os tivesse tido?

Dr. Michael Glass: *Um ponto de vista interessante lhe exibia aquela mulher que levantava a bandeira dos sentimentos aflorados ali diante de si* Mas não estou colocando em pauta a necessidade dos sentimentos existirem. São eles que nos tornam diferente das máquinas.. São eles que nos vertem em seres únicos... Sim.. a humanidade seria como num clipe do pink floyd.. *lembrava-se de uma banda que lhe despertara interesse em sua juventude* Como Another brick in the wall.. seriamos criancinhas caminhando ordenadamente na direção de um único lugar, regidos por alguém de maior poder, eu concordo plenamente.. *a voz calma de glass parecia um suave sussurro ao fluir dos finos lábios do Dr. * A questão é, Srta... *esperou que ela falasse ao menos o sobrenome e dava prosseguimento* Não fora a mulher que aflorou em Henrik o instinto assassino, era patológico, ele já o possuía, e criou uma nova personalidade, um individuo doce que lhe permitiria conquistar seu mais sonhado objeto de desejo, ela se encantou pelo jeito desprotegido.. e assim ele mantinha seu alter ego, Donny, como o chama, o meigo na ativa. Ele sempre foi o Henrick Blake, o homem que dilacerava, violentava e torturava.. todo o seu histórico de vida descambavam para esta realidade. A outra imagem cândida fora criada por ele.. Adultos.. seriamos adultos quando parássemos de acreditar em coisas que não existem, saindo da terra do nunca para a aceitação da vida adulta. O mistério da psicanálise está em buscar o equilíbrio.. entre a terra do nunca.. *e ele elevava uma mão adiante, fechando os dedos como se a simular um bico com eles e elevava a outra não num bico igual unindo-os* E a vida adulta... *e não os separava cada um para um lado* Está em sonhar sim.. o ser humano precisa dos sonhos para motivar a si mesmo.. mas está em enxergar as coisas como elas são ou vão constantemente desenvolver cargas depressivas cada vez maiores.. que descambam em solidão,.. em síndromes.. em pânicos.. em suicídios. Está aí a emoção exacerbada que está me citando..

Keyra McKellen: *ela olhava para o outro lado.. não olhava para ele.. os olhos se semi-cerravam levemente escutando todo aquele debate que ele discursava sobre o jeito de Henrick.. ou Donny.. um psicólogo que não via que certas pessoas andavam sobre uma tênue linha e que quando esta tênue linha arrebentava era capaz de transformar as pessoas mais pacíficas em verdadeiros psicopatas. ela fechava os olhos pois estes começavam a marejar*O arrancar do coração.. expressa como ele se sentiu.. quando a mulher o abandonou.. arrancando o coração de suas vítimas ele buscava arrancar aquele sentimento que o assolava.. no fundo era um grito de ajuda.. querendo que uma pessoa o detivesse e compreendesse por que ele fazia aquilo... *murmurava de forma baixa.. abrindo os olhos já em seu estado normal, suspirando e voltando a olhar para frente* Nos tornaríamos Piratas.. este seria o melhor termo que você busca para falar sobre a Terra do Nunca.. ou nos tornaríamos Despertos.. ao encararmos a verdadeira realidade da vida que vivemos... *ela voltava a olhar para ele.. aquele olhar escuro, aprecia buscar algo nos olhos dele.. não eram emoções.. não era compreensão.. o que ela buscava, seria algo que talvez o Dr. nunca fosse compreender* Quão distante você já caminhou nos Labirintos de Destino.. Quantas vezes você ansiou para se encontrar sobre os domínios de Morpheus? *ela mordisca o próprio lábio inferior meneando a cabeça negativamente de forma suave* Ah!.. *suspira* Seu coração busca a razão esquecendo a emoção e vejo diante de meus olhos.. alguém que caminha em uma tênue linha sobre um precipício.. Alguém que buscará uma mão que o segure, quando esta tênue linha se arrebentar.. *ele poderia ver um leve franzir de cenho.. um leve sorriso surgir naqueles lábios levemente carnudos* Quão longa e solitária será esta queda.. quando ela chegar ao seu encalço.

Dr. Michael Glass: *não era o caso do assassino em questão , talvez por isso ele se mantivesse arredio ao que estava falando. Tinha completa ciência do que dizia quando sabia que a tênue linha que separava uma pessoa normal de um psicopata não existia para Henrick, ele sempre fora violento, um comportamento acentuado quando se viu pela primeira vez abandonado de algo que queria muito. O amor doentio pela mulher de nome Tracy. * Srta.. No caso do individuo em questão.. folgo em dizer-lhe que jamais existiu Donnald Blake.. e se não fosse pelo abandono, seria pelo primeiro não que ela lhe desse. Um individuo não consegue forçar a própria natureza por tanto tempo. Ele era como uma panela de pressão mantida em constante prender. Estava pronto para explodir e deixar sua real natureza aflorar. Está como as outras pessoas buscando o fantasioso, num caso óbvio. Ele não pedia ajuda, não nesta questão.. que beira a beleza literária.. que daria um excelente livro. Ele buscava ajuda sim.. no sentido de que deveria ser afastado do convívio social... *deixou que os olhos claros e frios encontrassem os dela em sua clássica educação inglesa e ele escutava o que ela falava a respeito de eternos, de destino.. de morpheus* Todos nos estamos sempre a caminhar por estas highlands.. todos nos, Srta. E inúmeras vezes estive a encontrar as bifurcações dos caminhos do destino. *sorriu de leve, fechando o jornal diante de si, mantendo o rosto a observar o dela* Talvez eu já tenha ultrapassado os portões que levam aos domínios de Morpheus e por isto encaro a vida, como estou a lhe exibir. As duas faces de um mundo.. a dos ignorantes.. e a dos despertos.. talvez eu já seja um desperto.. ou não.. talvez seja eu ainda um ignorante a buscar o conhecimento pleno, hm? *ela falava que ele caminhava na tênue linha de um precipício e ele fechava os olhos lentamente para abri-los em seguida* Existe algo que me mantém equilibrado sobre esta linha.. algo denominado Inteligência Emocional.. o que torna as pessoas despertas. Que lhes tiram a venda utópica que pincela seus olhos de românticos sonhos frágeis.. *ele baixou os olhos e os cabelos de um castanho aloirado lhe saiam do penteado discreto, caindo sobre os olhos quando ele os erguia novamente no rosto de traços gentis* Como em matrix.. como a pílula vermelha de matrix.. Quando quiser deixar de enxergar as coisas de forma fantasiosa apenas.. quando estiver disposta a ver a verdade nua e cura como ela insiste em lhe saltar os olhos, eu lhe perguntaria. Do you take the red pill?

Keyra McKellen: *ele podia ver o sorriso surgir nos lábios daquela mulher que mostrara o lado emocional de tudo.. do caso que ele participou, da vida sobre sonhos e emoções.. ele podia ver um olhar que parecia rir com tudo aquilo que ele acabara de discursar e finalmente ver os olhos se desvencilharem dos dele.. Ela olhava para frente e calmamente pegava um cigarro levando aos lábios.. mantinha o cigarro apagado e depois retirava-o dos lábios* Acho que agora você compreendeu.. como você pode notar doutor.. *ela voltava o olhar para ele com um sorriso aos cantos dos lábios* Não foi um caso fácil... agora talvez você compreenda o que se passa na cabeça das pessoas que acompanharam o caso. *ele podia notar ela deixar transparecer o sotaque gaélico escocês fortíssimo que ela possuía* nas Highlands.. e na escócia.. Herick seria acusado a pena de morte, pois o caso dele não possui cura. Mas estaríamos voltando aos tempos da Inquisição e até mesmo nós das Highlands, temos que ver aquilo que não pode ser visto. Sentir, aquilo que não pode ser sentido. Precisamos atravessar o espelho quando a travessia se torna necessária.. e até mesmo refletir aquilo que as pessoas querem ver... *ela voltava a por o cigarro aos lábios.. acendia-o de forma calma dando um longo trago e soltando a fumaça para cima, evitando que a mesma fosse para cima do doutor* Eu já tomei a minha pílula vermelha doutor.. e você já tomou a sua? *estava sendo irônica com ele.. no fundo se divertiu com toda aquela conversa.. e talvez ela tenha apenas provocado a conversa para saber como Ele pensava a respeito de tudo*

Dr. Michael Glass: *ele percebia o desvencilhar dos olhos que voltavam a focar a paisagem a sua frente.. e o sorriso que brotava nos lábios da mulher. O cigarro que ela levava aos lábios e mesmo mantendo apagado já demonstravam um sinal de fuga. Fuga de lembranças talvez, fuga dos próprios sentimentos que ela havia dito.. os mesmos que poderiam ser capazes de despertar um psicopata ou mesmo de conduzir aos tenebrosos meios que levavam a depressão..ou até mesmo ao suicídio.. manteve-se a observa-la enquanto ela falava que o caso não seria visto de forma tão complacentes nas highlands.. * Ele seria encaminhado a pena de morte aqui também na terra da oportunidade.. *o sotaque carregadamente britânico nunca se deixava de fora de suas conversas* Mas acreditamos que mentes como a do Serial Killer em questão possa ser estudada. Temos uma tese de que se pode criar um bloqueio para indivíduos patológicos. Estudando Henrick Blake poderemos quem sabe.. e olha aí a utopia da ciência.. chegar a uma espécie de "soro" ou "tratamento" para distúrbios patológicos obsessivos como o dele.. mas este é um critério que não precisa ser abordado neste exato momento. Apenas continuo mantendo o meu ponto de vista. Foi um caso fácil. As pessoas insistiram em vê-lo da forma romanticamente difícil, atribuindo ao jovem um caráter sofrível.. era capaz inclusive de torna-lo herói em toda esta escabrosa cena.. *ele sorriu de canto, olhando o relógio, estava próximo a seu horário de vôo.. e ela lhe perguntava ironicamente se ele já havia tomado a sua pílula vermelha* Sim, Srta.. eu já a tomei.. quando deixei de crer em um mundo tipicamente cor de rosas.. e passei a acreditar na ciência e no equilíbrio das coisas.. quando passei a enxergar a facilidade com que fatos se apresentam, ao invés de procurar como se diz no ditado popular, cabelos em ovos.. tomei minha pílula vermelha quando aceitei o mundo adulto e a realidade.. e não procurar mais incentivar as pessoas a permanecerem no obscuro.. *sorriu para ela da mesma forma, sendo irônico? O maldito sotaque Dr. Michael Glass fala para Keyra McKellen: britânico e a expressão inalterada não a deixaria distinguir*

Keyra McKellen: *ela ia tragar novamente o cigarro e para no meio do caminho escutando aquele discurso que ele dizia.. era um Britânico.. Um Inglês com seu maldito ponto de vista um tanto quanto peculiar.. o que ele queria afinal? Salvar a humanidade de psicopatas como Henrick Blake? Ela começa a rir.. inclinando o corpo para frente.. apoiando os braços nas pernas e batendo levemente a brasa do cigarro, para que as cinzas caíssem ao solo do parque* Existe uma forma bem interessante.. se ela fosse plausível.. estudos que dizem poder identificar uma pessoa que será um psicopata.. um assassino.. antes mesmo que ele nasça.. e então. *ela levava o cigarro aos lábios e tragava o cigarro.. parecia um pouco pensativa* executarmos eles antes mesmo de seu nascimento... *depois de exalar a fumaça.. ele poderia ver aquele olhar escuro, que parecia sombrio quando ela semi-cerrava levemente os olhos*, mas desta forma estaríamos nos tornando como eles...*ela meneava a cabeça em negação.. a velha rixa entre os escoceses e os ingleses, começava a aflorar, mas talvez isso esquentasse mais ainda a conversa.. ou talvez não.. afinal.. Ninguém provoca um escocês impunemente* Compreendo seu ponto de vista ao achar que está do lado iluminado , tentando levar as pessoas para o seu lado. que me parece um tanto quanto obscuro. Pois segues uma linha reta sem buscar todos os ângulos possíveis de um ponto de vista. A Análise jamais deveria ser vista de forma racional.. de uma forma adulta como vc mesmo o diz. A análise precisa ser vista de todas as formas.. românticas, científicas.. sonhadoras.. realistas.. pois vejo uma pequena falha em todo o seu plano cósmico... Você prendendo como prendeu o motivo de toda a nossa conversa.. poderá estar deixando adormecer o lado psicopata de Henri...*ela abria um sorriso um pouco mais largo* quanto tempo você acha que o seu caso.. ficará preso.. se acaso o Lado meigo que tanto confundiu o Júri.. permanecer ativo.. implorando para que o libertem.. por ele ser. "inocente" *ela frisa com os dedos a palavra Inocente* Eis que surge o seu lado sentimental e sonhador Doutor.. ao desejar estudar o psicopata e achar que ele possa ajudar a ciência.. fazendo com que você encontre uma "fórmula" ou um "Soro" *frisava novamente as palavras com os dedos* que cure estes malditos bastardos. *ela suspira de forma longa e volta ao cigarro* ao meu ver.. Doutor.. te tornaras uma criança que sonha com um objetivo tão sonhado...

Dr. Michael Glass: *ele a escutava.. escoceses e sua incrível mania de agredir em seus discursos ferrenhos e de certa forma violentos contra ingleses.. salve a rainha e a educação dos seus filhos, mantinha-se escutando o que ela falava sobre execução dos pretensos SK antes mesmo do seu nascimento* Se matássemos bebes em série.. seriamos outros SK.. não.. a tese que estudo não se aplica a execução, mas a tratar de linhas neurais.. mas é um estudo ainda.. algo ao qual me dedico e como disse há minutos não convém abrir pauta para discussão sobre ela aqui.. *sorriu classicamente indicando que o assunto sobre sua tese estaria encerrado. não discutiria sobre teorias psicológicas em um parque, quando tudo o que mais queria era estar em um avião de partida para a Inglaterra.. sentia saudades que queria abrandar.. mesmo que apenas em vislumbrar um rosto conhecido.. * E não.. *desta vez sorriu com mais gosto elevando as mãos como a impedir um combate físico* Não.. não quero converter Iluminattis.. não.. não é esta a questão... E sim.. acentuando a minha compreensão sobre as realidades da vida. Busquei todos os ângulos possíveis para avaliar aquele rapaz.. do contrario não seria eu um psicólogo e sim um algoz.. e não foi este o meu papel no júri.. eu deveria encontrar as falhas.. deveria entender a mente daquele homem e foi o que fiz, sobre todos os aspectos possíveis, utópicos, românticos, para então analisá-lo de modo racional, pois se deixasse sentimentos aflorarem.. emoções dominarem o teria julgado capaz e ele seria executado. Henrick não tem um discernimento do que é errado ou certo.. para ele a sua verdade é a sua verdade.. isso lhe atribui a imputabilidade.. a morte não seria um castigo.. pelas mortes que ele causou.. mas uma vingança da sociedade.. seria novamente deixar o emocional florescer. *escutou ela falar sobre ele acreditar que Donny ficaria preso por muito tempo* Infelizmente este critério não depende de mim, e sim das forças policiais, já que ele foi encaminhado para um manicômio judiciário com todas as posologias de seu tratamento... *respirou fundo, a expressão calma e suave ainda a ostentar o rosto, quando percebia o discurso inflamadamente escocês e se culpava por seu bloco de notas não estar ali, rogando que sua mente não lhe traísse.. a jovem lhe renderia uma boa analise psicológica, gostava de embates desta natureza.. o uso da palavra bastardos no texto que ela proferia levava a crer uma certa fúria da jovem no assunto em questão.. a emoção que tomava parte de alguém que se julgava uma desperta.. sendo este o caso, não deveria encarar os fatos como encarava diante do doutor* Não.. utopia vem a ser aquilo que se torna inalcançável.. no caso do estudo é cientificamente provado ser possível.. a busca agora vem a ser conseguir o meio sem a confirmação de seqüelas.. apenas isto.. então.. permaneço ainda do meu lado da tênue linha, Srta.. mas e você? Continua do lado que julga desperto? Sendo tão veemente em divagar sobre alguns pontos que abordou? Creio que te tornas um ser que anda nas trilhas de destino.. e que se perde entre suas bifurcações tornando-se dúbia.. ser dúbio é ser desperto então?

Keyra McKellen: *Se ele queria estar com o bloco de anotações ali.. ele poderia começar a achar que seria melhor não.. pode ver ela voltar a olhar para ele.. pode ver aquele olhar de quem poderia estar para cruzar e linha tênue e capaz de arrancar o coração dele ali mesmo por conta da provocação que ele tinha feito... Diziam que os escoceses perdiam a cabeça facilmente.. às vezes diziam que era mais fácil conversar com uma parede do que com os escoceses.. mas ali.. diante do silêncio que se prolongava entre os dois.. aquele olhar era um olhar que poderia dizer para ele.. encerre o assunto.. saia o mais rápido que puder.. não é saudável ficar aqui... era tudo que ele podia ver naqueles olhos escuros da mulher de cabelos bicolores que deixava o cigarro cair ao solo e de forma calma... extremamente calma... pisar sobre o mesmo apagando-o.. o cigarro não tinha nem mesmo chegado à metade dele... O doutor podia ver a mulher ergue-se e pegar o casaco.. e voltar a olhar para ele* Um desperto... sempre possui os dois lados da moeda... *A voz vinha de forma baixa.. ele não via mais o sorriso naqueles lábios que há tão pouco tempo parecia se divertir com ele* Conhece todos os caminhos que há nos Labirintos do Destino.. sendo capaz de ficar por anos.. analisando cada bifurcação encontrada... Eles jamais se perdem.. mesmo que eles peguem o caminho errado. Esta é a beleza de um desperto.. um verdadeiro desperto.. talvez você compreenda um dia o que ousei falar-te sobre a linha tênue que você caminha sobre o precipício.. pois muitas vezes Dr... Despertos como eu.. agem como o próprio destino... *ela se virava e começava a se afastar.. em certo ponto ele tinha a derrotado naquele embate de xadrez.. ela tinha deixado as emoções falarem mais alto, quando ela sempre mantinha as emoções guardadas em uma caixa.. *

Dr. Michael Glass: *a observou levantar e também estava na hora marcada para seu vôo.. enfim de volta a terra da rainha.. a observou pegar o casaco e falar com voz que agora nada tinha de irônica ou que buscava divertir-se com ele.. havia tocado no ponto chave da garota quando falar das emoções e seu comportamento dúbio* Concordo Srta. um desperto tem que conhecer todos os lados e assim se isenta de um julgamento precipitado.. como o que está fazendo agora.. mas principalmente.. ele tem a sua opinião no mundo.. que vem para si justamente por conhecer todos os lados do assunto.. * E Srta.. sou como Morpheus.. aprecio os mundos fantasiosos de meus irmãos.. como kai'kul o faz sempre.. não seria ele um psiquiatra!? Seria ele a inspirar psicólogos.. psiquiatras e até mesmo escritores.. por permitir que se enxergue tanto o sonhar quanto o mundo mortal.. *ele erguia-se do banco ajeitando novamente o paletó azul marinho para tomar a direção oposta á dela* Estás muito mais para desespero neste exato momento, irmã.. *murmurou enquanto deixava que os sapatos italianos o levassem para o ponto de táxi adiante*

Keyra McKellen: *ela escutava ele a discursar sobre Morpheus.. um psicólogo que se achava ser como Morpheus e julgar Morpheus como ele... ele poderia estar enganado a este ponto e ela gira sobre os pés.. tinha uma última rebatida ao ver ele se afastando.. um sorriso surgia nos lábios* Não!! *ela falava mais alto* Tu és Destruição meu caro Irmão.. Pois Ele Destrói para reconstruir.. para recriar o que já fora criado.. Destróis os sonhos daqueles que por ti são consultados.. moldando em suas mentes.. suas almas.. e seus corações.. o mundo que Você gostaria que eles vissem.. *ela falava daquele modo alto enquanto ele se afastava.. ele podia sentir na voz daquela mulher Um Destino que conseguira ver uma bifurcação interessante.. Não.. ela jamais estaria para Desespero... E Keyra sorria.. virando de novo o corpo e pegando um cigarro.. depois tinha que dar um jeito de descobrir a conta do doutor.. e depositar o dinheiro da consulta*

[Má Perdedora, sim... Mas irei pagar pela consulta Informal Doutor Glass]